domingo, 1 de março de 2026

Expedição francesa da década de 1940 que rendeu livro e documentário sobre Roraima e os Yanomami permanece desconhecida pelos brasileiros

O escritor e explorador francês Alain Gheerbrant chefiou uma expedição de 1948 a 1950, do rio Orinoco, na Venezuela, até o rio Amazonas, em Manaus, passando pelo território que hoje corresponde a Roraima, fazendo, no sentido inverso, o caminho percorrido décadas antes pelo etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg.

Na expedição, Gheerbrant cruzou a serra do Parima e fez contato com os Yanomami e outros povos. O registro em foto e vídeo resultou no livro L'Expédition Orénoque-Amazone: 1948-1950 e no documentário Des hommes qu'on appelle sauvages (em tradução livre, Homens que chamamos de selvagens), ambos de 1952.

No capítulo Postscriptum – Quando eu é um outro (e vice-versa), do livro A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, o etnólogo francês confidencia que, quando criança, apaixonou-se pelo “‘exotismo simplório dos relatos de ‘viagens extraordinárias’ e expedições aventurescas na Amazônia” como as do livro de Gheerbrant e, anos depois, perceberia ser aquela a primeira expedição a atravessar a serra do Parima, passando pelo norte do território yanomami.

Após se tornar um clássico da literatura de viagens, o livro foi traduzido para português e publicado em 1978. Sob o título Nos confins da Amazônia, a obra está disponível gratuitamente na internet (para acessar, clique no título do livro neste parágrafo, ou na capa do livro abaixo). 


Em preto e branco e com duração de 95 minutos, o documentário dirigido por Jean Fichter, Pierre-Dominique Gaisseau e Alain Gheerbrant fez sucesso na sua estreia em Paris. Um trecho de menos de dois minutos do documentário está disponível no YouTube, no link abaixo.


Como resultado da expedição, foi ainda lançado um disco de vinil (LP) que registrou sons de um ritual de iniciação do povo Piaroa, da região do rio Orinoco (clicar no link abaixo para ouvir).


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Livro de poesia de 1880 reconta histórias dos povos indígenas Arawak, Warao, Carib e Acawoio

O livro Legends and myths of the aboriginal Indians of British Guiana (Lendas e mitos dos índios aborígenes da Guiana Britânica, em tradução livre), publicado em 1880, reúne poemas escritos pelo missionário William Henry Brett sobre os povos indígenas Arawak (ou Aruak), Warao, Carib e Acawoio, que atualmente vivem na região da Guiana, do Brasil e da Venezuela.

O livro não tem tradução para português. Ao que se sabe, o texto literário ainda não foi objeto de pesquisas acadêmicas publicadas em português.

No prefácio, Brett diz que o objetivo da obra foi reunir em um único documento as tradições religiosas, mitológicas e históricas mais importantes dos quatro povos indígenas que vivem mais próximos da costa da Guiana.

Também no prefácio, o autor da obra justifica a escrita em versos por, segundo ele, "ser condizente com o estilo nativo de outrora", quando as tradições desses povos eram recitadas com entonação peculiar, cantadas em vez de narradas.

Os poemas rimados contam acontecimentos históricos como guerras intertribais e o contato com o Ocidente, bem como histórias relacionadas à tradição e ao imaginário indígena.

Abaixo, confira um trecho da obra inspirada em uma história acawoio que faz referência a Makunaima e ao Monte Roraima:

“Então, dizem, o grande Makonáima,
Criou para eles uma árvore maravilhosa,
Coberta de nuvens, como a alta Roráima,
Dando frutos em abundância—
De todos os tipos—a necessidade de
Seu amor e lealdade!” (Brett, 1880, p. 127, tradução livre).

O livro na íntegra em inglês pode ser acessado aqui ou aqui ou aqui.