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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Governo Temer tenta lucrar politicamente com aprovação de projeto de lei que não elaborou nem trabalhou para aprovar


Com a aprovação do projeto de lei que cria a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), o Ministério da Cultura fez uma postagem, no mínimo, curiosa em sua página oficial no Facebook. O texto diz: “Boa notícia! Após forte articulação do #MinC, a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) foi aprovada no Congresso Nacional do Brasil.”
Com assim? — perguntaram-se, com razão, aqueles que realmente fizeram uma forte articulação para que o projeto de lei vingasse. Isso porque, em todo o trâmite no Congresso, não se viu articulação alguma da gestão Temer, ainda que fraca, em favor da proposta.

O projeto de lei foi aprovado no dia 8 de maio de 2018 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal. E agora, para entrar em vigor, basta a sanção presidencial.

O projeto é fruto de um amplo e longo debate entre a sociedade civil organizada e o Poder Público. A PNLE é uma tentativa de dar continuidade às ações exitosas do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), aprovado por meio da portaria interministerial, em 2006, e instituído por meio de decreto da então presidenta Dilma Rousseff, em 2011.

Alguns dos objetivos do projeto são democratizar o acesso ao livro; fomentar estudos e indicadores nas áreas do livro, da leitura, da escrita, da literatura e das bibliotecas; desenvolver a economia do livro; promover a formação profissional nos segmentos criativo e produtivo do livro e mediador da leitura; e incentivar a criação e a implantação de planos estaduais e municipais do livro e da leitura.

Entrega do projeto de lei à senadora Fátima Bezerra (Frente Parlamentar Mista em Defesa do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas). Foto: Vinicius Ehlers/ Gab. Sen. Fátima Bezerra
Por temerem que o projeto não fosse priorizado pela gestão Temer, o Colegiado Setorial de Literatura, Livro e Leitura (CSLLL), a Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) e a Secretaria Executiva do PNLL, às vésperas do processo de impeachment, apresentaram a minuta do projeto de lei à senadora Fátima Bezerra (PT/RN), que assumiu sua autoria.

Logo em seguida, a primeira ação do governo Temer para a cultura foi extinguir o Minc, o que só foi revertido mediante grande pressão da sociedade civil organizada. Mesmo depois da desextinção do ministério, o Governo Federal, além de reduzir drasticamente o orçamento, reestruturou o Ministério da Cultura, diminuindo na pasta a importância da DLLLB, transferida da Secretaria Executiva para a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC). Além disso, o Governo deixou sem gestor por seis meses o órgão responsável pela política nacional de livro, leitura, literatura e bibliotecas.

Talvez por tudo isso o post na fanpage do Minc não cite nenhum exemplo dessa “forte articulação” para que fosse aprovada a Política Nacional de Leitura e Escrita.

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sábado, 20 de agosto de 2016

O Brasil precisa de uma política de leitura e escrita (coluna Letras Políticas)

“Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve” – disse o escritor Lewis Caroll, pela boca do Gato, personagem da sua mais famosa obra, Alice no País das Maravilhas. Já o poeta Thiago de Mello escreveu: “não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar”.
Quem costuma se aventurar pelo mundo mágico das palavras sabe que, tão importante quanto o desfecho de uma narrativa, é como se chega lá. A nação que almeja ser um país de leitores e de gente que escreve a própria história deve ter não só um plano, mas uma política de leitura e escrita.
O projeto de lei n. 212/2016 tramita no Congresso e pretende instituir a Política Nacional de Leitura e Escrita. O projeto é fruto de um amplo e longo debate entre a sociedade civil organizada e o Poder Público, que, entre outros, rendeu frutos como o Plano Nacional do Livro e Leitura, instituído em 2006.
O projeto de lei prevê que a Política Nacional de Leitura e Escrita seja implementada pelos ministérios da Cultura e da Educação, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e com a participação da sociedade civil e de instituições privadas.
Alguns dos objetivos do projeto são democratizar o acesso ao livro; fomentar estudos e indicadores nas áreas do livro, da leitura, da escrita, da literatura e das bibliotecas; desenvolver a economia do livro; promover a formação profissional nos segmentos criativo e produtivo do livro e mediador da leitura; e incentivar a criação e a implantação de planos estaduais e municipais do livro e da leitura.
Para que esta não seja uma lei que nasça letra morta, a sociedade civil deve participar ativamente de sua construção, exigir a realização de audiências públicas e se fazer presente nesses importantes momentos da elaboração de políticas públicas para o setor. Temos um bom caminho pela frente. Caminhemos…