Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de setembro de 2021

As músicas esdrúxulas de Chico Buarque, Mamonas Assassinas e Neuber Uchôa

O que têm em comum Chico Buarque, Mamonas Assassinas e Neuber Uchôa? As letras de música esdrúxulas. 

Calma! Não me leve a mal. Esdrúxulas são palavras proparoxítonas (você se lembra dessa aula?), aquelas com acento tônico na antepenúltima sílaba. “Música”, “clássica”, “esdrúxula” são palavras proparoxítonas, esdrúxulas, ou seja, em que a sílaba mais forte é a terceira, contada de trás para frente. E, assim, versos de letras de música, do mesmo jeito que qualquer poema, terminados em palavras esdrúxulas, são igualmente chamados de esdrúxulos.

Músicas esdrúxulas são exceções na Música Popular Brasileira (para conferir o meu Poema Esdrúxulo, clique aqui). Pensando bem, até que merecem o título de esdrúxulas, no sentido de excêntricas, pouco comuns. Abaixo alguns exemplos:

Construção (Chico Buarque)
Lançada em 1971, no álbum de mesmo nome, os versos de Construção são todos terminados em palavras esdrúxulas. Vamos a eles:

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Clique na capa do disco para ouvir a música

Robocop gay (Mamonas Assassinas)
Lançado no álbum Mamonas Assassinas, em 1995, Robocop gay tem os três primeiros versos de cada estrofe terminadas em proparoxítonas. Confira:

Um tanto quanto másculo
Com M maiúsculo
Vejam só os meus músculos
Que com amor cultivei

Clique na capa do disco para ouvir a música

Ave (Neuber Uchôa)
E para fechar, nosso representante roraimeira Neuber Uchôa rima três palavras esdrúxulas nos versos finais da música Ave, que conquistou o terceiro lugar no Festival de Música de Roraima (Femur) de 1980. Confira o trecho da canção:

Ave santo incrédulo, ave corpo frígido
Ave vivo inválido, ave inerte invicto

Clique na capa do disco para ouvir a música

Diga aí: você já tinha percebido isso? Gosta dessas músicas? Conhece outras com a mesma característica?


Leia também

sábado, 16 de novembro de 2019

Músicas de Roraima que inspiraram os contos inscritos no IV Concurso Literário Internacional Palavradeiros

Para concorrerem na quarta edição do Concurso Literário Internacional Palavradeiros, os contos inscritos deveriam ser inspirados na letra de alguma música de compositor ou intérprete que nasceu ou mora/morou no Estado de Roraima.

Confira todas as músicas que inspiraram os contos inscritos em 2019:

(Ar) Árvores (Geraldo Brito / Glauco Luz) - Intérprete: Zé Roraima

Canto das Pedras (Zeca Preto / Neuber Uchôa)

Cidade do Campo (Armando de Paula / Eliakin Rufino) - Intérprete: Halisson Crystian

Cruviana (Neuber Uchôa)

Ditados Impopulares (Eliakin Rufino) - Intérprete: Leila Pinheiro

É Makunaima (Ricardo Nogueira)

Hino de Roraima (Dorval de Magalhães / Dirson Felix Costa)

Julieta (Caio Munhoz, Daniel Alencar e Murilo Pommerening) - Intérprete: Projeto Churras

Memória da Tribo (Eliakin Rufino / Nilson Chaves)

Neto do Nordeste (Eliakin Rufino) - Intérprete: Ernandes Dantas

O que Diabos é Jazz (Zé Roraima)

Pimenta com Sal (Eliakin Rufino) Intérprete: Lucinha Bastos

Princesinha dos 100 anos (Zé Roraima / Will Silva)

Roraimeira (Zeca Preto)

Se Chovesse Você (Adonay Pereira / Eliana Printes / Eliakin Rufino) - Intérprete: Eliana Printes

Leia também
Músicas de Roraima que ganharam o País na voz de figurões da MPB
Músicas em homenagem a Chico Mendes
Antologia do III Concurso Literário Internacional Palavradeiros
Antologia do II Concurso Literário Internacional Palavradeiros

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Músicas de Roraima que ganharam o País na voz de figurões da MPB

Frank Aguiar, Palavra Cantada e Gaby Amarantos são algumas das estrelas de renome nacional que já deram voz a canções compostas por artistas roraimenses. Confira abaixo:


Mijador com Mijador (Zerbine Araújo) 

Depois de anos de sucesso como cantor e compositor da banda de forró Pipoquinha de Normandia, Zerbine Araújo viu sua música ‘Mijador com Mijador’ ser gravada por figuras como o piauiense Frank Aguiar e as bandas cearenses Brasas do Forró e Garota Safada, que lançou o cantor Wesley Safadão.

Mijar com Mijador (Frank Aguiar)

Mijador com Mijador (Brasas do Forró)

Mijador com Mijador (Garota Safada)

A música foi ainda trilha sonora da adaptação da peça Lisístrata (411 a.C.), do dramaturgo grego Aristófanespara o gênero teatro de fantochesA adaptação foi feita pelo Grupo Paideia, do Ceará. 


Ubirajara (Sérgio Sarah) 

Autor da música ‘Caxambu’, em parceria com Ricardo Nogueira, o saudoso Sérgio Sarah teve sua composição ‘Ubirajara’ gravada pela banda paulista Palavra Cantada, voltada ao público infantil, no álbum Canções do Brasil, que tem uma música de cada Estado do País.

Ubirajara (Palavra Cantada) 

Menos conhecido desta lista, principalmente para as novas gerações, Sérgio Sarah ganhou outros prêmios por suas parcerias musicais com Ricardo Nogueira. Entre eles, o primeiro lugar no I Festival de Música da Roraima (Femur), em 1982, com a canção 'Marchando'. 
  
Pimenta com Sal (Eliakin Rufino)

Para finalizar, não poderia faltar Eliakin Rufino, ele que talvez seja o compositor roraimense com mais músicas gravadas por artistas de outros Estados: ‘Tudo Índio’, ‘Memória da Tribo’ e ‘Gaia’, por exemplo, foram interpretadas pelo paraense Nilson Chaves; Ditados Impopulares’ e ‘Todo Mundo Nasce Artista’, respectivamente, pelas também paraenses Leila Pinheiro e Aíla; ‘Madrugada’ e ‘Se Chovesse Você’, pela amazonense Eliana Printes, com participação do paraibano Chico César; ‘O Sonho do Xamã’, pela também amazonense banda Raízes Caboclaspela paulistana Lu Santarosa

Provavelmente, um dos mais importantes momentos da carreira de compositor de Eliakin Rufino foi quando a cantora paraense Gaby Amarantos (intérprete do hit ‘Ex mai love’, abertura da novela Cheias de Charme, da TV Globo) cantou em 2012 a música ‘Pimenta com Sal’, em rede nacional, com participação da mineira Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, no programa Altas Horas, de Serginho Groisman, da mesma emissora. A música, com feat de Fernanda Takai, está no CD Treme, da cantora paraense. 

Pimenta com Sal (Gaby Amarantos e Fernanda Takai)

Também em rede nacional, Gaby Amarantos cantou ‘Pimenta com Sal’, ao lado da baiana Daniela Mercury, no especial Criança Esperança, da TV Globo, em 2013. 

Pimenta com Sal (Gaby Amarantos e Daniela Mercury)

‘Pimenta com Sal’ rendeu ainda um videoclipe da baiana Solange Aviões (que atualmente usa o nome artístico Solange Almeida, ex-vocalista da banda cearense Aviões do Forró), com participação de Gaby Amarantos. 


Pimenta com Sal (Solange Aviões e Gaby Amarantos)

A música também foi gravada pela paraense Lucinha Bastos, pela banda potiguar Forró Babado de Menina, pela amazonense Márcia Novo, com feat do carioca Wilson Simoninha, pela também amazonense Cinara Nery, entre outros.

Gostou da seleção musical?
Lembra de outra música ou compositor que poderia estar na lista?
Comente!


Leia também
Músicas em homenagem a Chico Mendes

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Entrevista com o escritor Zeca Preto

A quarta entrevista da série com escritores de Roraima é com o filho de dona Neusa, Zeca Preto. 

Apresentação 
Sou um escritor meia boca. Com juízo suficiente pra não escrever um romance... Comecei a escrever um Maria Tiquiri. Tive de rasgar tudo. Totalmente perdido. Adoro escrever o cotidiano. Dar vida às palavras é bom demais. É como inventar palavras: Drácuxi, Paracuxinauara, Roraimeira, entre outras tantas. Na realidade, não sei quem sou como escritor. Apenas escrevo... 

Como se deu seu contato com a escrita? 
O meu contato com a escrita foi com 11 ou 12 anos: fui escolhido pra fazer uma mensagem de duas páginas para Papai Noel. Fiz a carta no Grupo Escolar Dr. Freitas, em Belém do Pará. O texto questionava porque uns tinham bicicletas, patins, carrinhos elétricos que piscavam os faróis e outros tinham um carrinho de lata feito pelos próprios pais. 

Essa questão social sempre foi um questionamento meu... e daí pra frente, escrevia mensagens de aniversário, até de missa de 7 dia de falecidos... 

Que livros você mais gostou de ler na vida? De que gêneros, escolas literárias e temas você mais gosta?
Li poucos livros e gostei imensamente de ‘Eu’, de Augusto dos Anjos. Quando jovem, era viciado em livro de bolso ‘Giselle, a espiã nua que abalou Paris’. Li quase todos. 

Quais são suas influências artísticas? Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção?
Acho que não tenho. Mas sou apaixonado por Manoel Bandeira e um pouquinho por Carlos Drummond de Andrade. 

Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima? 
Vejo com otimismo. Tem uma turma maravilhosa. E o que me deixa mais feliz é ver mulheres poetas. Fico Feliz! 

Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 
Eliakin Rufino, Zanny Adairalba, Ricardo Dantas, Edgar Borges. Os trabalhos desses escritores são bons e admiro... 

O que você diria para a nova geração de escritores? 
Claro, se preocupem com as pequenas concordâncias. E, por favor, deem vida e imagem às palavras... 

Quais são seus objetivos, como escritor?
É passar emoção, se possível, fazer chorar através da escrita. 

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira?
Como escritor, foi no lançamento do meu Songbook na sede da União Operária, onde pude ver e ouvir murmúrios de festas que ali aconteciam. Foi louco! Escrevi um poema... 

Como você caracteriza o texto que produz?
Verdadeiro, no maior sentido da mentira. 

Com é o seu processo de criação? 
Como escritor, chega uma vontade imensa de escrever. Como compositor, também faço por encomenda, sem inspiração... 

O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 
O amor no seu mais alto grau da existência... 

Fale sobre os livros que você publicou. 
Como escritor, escrevi os livros: 

Em 1987, ‘Beiral’. Foi lançado no próprio ambiente, no Bar do Batuta. Consegui levar ao Beiral secretários de Estados, deputados federais e outras autoridades. Foi uma festa maravilhosa com cachaça, cerveja, cigarros e poesia... 

Em 2008, escrevi o livro ‘Beiral II edição’ (obra revista e ampliada), com fotos do fotógrafo Jorge Macedo. 

Em 2013, escrevi o livro ‘Poemas Acorrentados’, com as belas ilustrações do artista plástico Augusto Cardoso. Para ler e baixar 'Poemas Acorrentados', clique aqui.
Em 2014, escrevi o livro ‘Traços e Amores’, com ilustrações de Amazoner Okaba. 

Em 2014, foi feito pela UFRR, através da Fundação Ajuri, o meu Songbook ‘Músicas Vivas de Zeca Preto’. 

A música me deixa mais eufórico por causa do som. Talvez, por isso, não seja tão atuante na literatura propriamente dita. 

Quais são seus projetos futuros? 
Lançar nas plataformas Web. 

Caso queira acrescentar algo a mais que não foi perguntado, fique à vontade. 
Agradecer e dizer que você é um grande escritor.

Site oficial

Redes sociais de Zeca Preto

Outras entrevistas da série com escritores de Roraima
E-book: a literatura de Roraima na era digital
Mesas redondas discutem literatura em Roraima

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Músicas em homenagem a Chico Mendes

Vamos de música? Afinal, este blog se chama ArteLeituras...

Há tempos penso em postar as obras de arte abaixo, todas em homenagem ao líder serigueiro, mas sempre fui deixando pra depois...


1. Cuando los Ángeles Lloran (Maná)


É a mais famosa (mundialmente)!



2. O seringueiro (Zé Geraldo)


Uma poesia da MPB!

Do mesmo autor/intérprete de clássicos, como Senhorita ("Minha meiga senhorita"), Cidadão ("Tá vendo aquele edifício, moço?"), Milho Aos Pombos ("Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos), Como Diria Dylan (Meu amigo, meu compadre, meu irmão, escreva sua história pelas suas próprias mãos"), entre tantas outras.



3. Xapuri (George Farias e Eliakin Rufino, gravada por Euterpe)


Uma homenagem roraimense de dar orgulho! 

A versão na voz de Euterpe, pode ser ouvida neste link.

A música Xapuri me inspirou a escrever o conto Novos Franciscos, publicado  na revista Marinatambalo e no livro 'Do Nascimento ao Epitáfio'. A história foi ainda selecionada pelo Concurso Literário Internacional “Natureza 2017-2018”. Para ler o conto, acesse aqui.

4. Ao Chico (Tião Natureza)

Uma canção visceral! 

Desta lista, a que conheço há menos tempo (sugestão do meu amigo acriano Jeronymo Artur).


Gostou das canções? Conhecia todas?

Quem souber de outras sobre Chico Mendes comenta.

Músicas inspiradoras nunca são demais para os meus ouvidos...