Mostrando postagens com marcador Monte Roraima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monte Roraima. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de julho de 2018

História de livro ambientado no Brasil é a inspiração de Jurassic Park


Você sabia que a história de ‘O Mundo Perdido’ (1912), o livro que inspirou Jurassic Park, se passa no Brasil? Eu já tinha escrito uma resenha sobre o livro (para ler, clique aqui). Só não tinha dito ainda que a história fez sucesso quando foi lançada nos cinemas em 1925 (caraca!) e inspirou todos os outros filmes de dinossauros que vieram depois: King Kong (1933) (sim, nesse filme tem dinossauro!), a animação infantil Em Busca do Vale Encantado (1988), Up – Altas Aventuras (2009) (não tem dinossauro, mas a narceja Kevin não parece um bicho jurássico?) e, claro, Jurassic Park.

  
Foi o Monte Roraima, na fronteira do Brasil (Roraima) com a Venezuela e a Guiana, que inspirou a Terra de Maple White, platô na bacia amazônica brasileira descrito no livro de Arthur Conan Doyle, ainda que na obra o autor não seja lá muito detalhado ao situar geograficamente o local. Para quem não sabe, platô é uma montanha em forma de mesa. Já Conan Doyle é também o criador de, ninguém mais, ninguém menos que o famoso detetive inglês Sherlock Holmes.

cena do filme O Mundo Perdido
cena de King Kong (1933)
 

cena de Up - Altas Aventuras
Parece a montanha de O Mundo Perdido, né?


Monte Roraima. Foto: Koch-Gruberg, entre 1911-1913
Lembra muito a montanha de O Mundo Perdido. Você acha coincidência?

Ao contrário de mim, Conan Doyle nunca pisou no Monte Roraima (chupa, Doyle! Fãs do autor, é brincadeirinha... Não fiquem chateados), mas o pai de Sherlock leu relatos de viajantes à montanha na época ainda recém explorada pelos ocidentais. E assim nasceu um clássico da literatura mundial!

Gostou? Compartilhe e deixe sua opinião nos comentários.

Leia também
Entre ‘O Mundo Perdido’ e Sherlock Holmes: um imenso abismo
Resenha: Daniel Sapeca e o Diamante Azul do Tepequém (Clotilho Filgueiras)
Órfãos de Haximu e os órfãos de literatura sobre o povo Yanomami
O Homem de Barlovento: um tesouro oculto
Patachu, o personagem que inspirou o Pequeno Príncipe

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Homem de Barlovento: um tesouro oculto

Até onde estamos preparados para conviver com o sobrenatural? Essa pergunta abre o texto da contracapa do livro O Homem de Barlovento, de Bruno Garmatz. Mas, ainda que central, a questão acima talvez não seja suficiente para traçar um panorama desejável da obra, que mescla romance e mistério.

Lançado em 2013, O Homem de Barlovento é o primeiro livro de ficção do autor e já foi tema de trabalhos científicos, inclusive uma dissertação de mestrado, publicados nas línguas Portuguesa e Espanhola. Nascido em Ibirubá (RS), Bruno Garmatz mora em Boa Vista desde 1988. É ainda autor do romance Escolhas Erradas (2013) e dos livros-reportagens Conversando com Guillermo (2007) e Monte Roraima – a morada de Makunaima (2013). Conversando com Guillermo já foi adotado como livro de referência no vestibular da Universidade Federal de Roraima.

A história começa com o primeiro encontro de Mauricio e Luisa, romance que o autor retoma nos últimos capítulos. Entre esses dois momentos, a obra relata a experiência mística que teve o protagonista, ali pelo quinto capítulo, e sua aventura para entender o que se passou.

Além do enredo romântico e do tom espiritualista, outro elemento marca a narrativa: o turismo. O enredo viaja por Goiás, Boa Vista e Venezuela, com profundas descrições de atrativos históricos, culturais e turísticos. Tanto que o leitor pode até se questionar se os lugares paradisíacos são o cenário da história ou é a história um pretexto para as deslumbradas descrições. Talvez esta seja a mais clara manifestação na obra do lado jornalista do autor. Finda a leitura, dificilmente a pessoa não quererá conhecer pessoalmente as belezas retratadas, como agora alimento o desejo de viver a experiência de contato com a neve venezuelana.

Minha indicação? A mesma do prefaciador da obra: ‘Leia este livro do início ao fim’. Do contrário, dificilmente entenderá o porquê do cacau na capa ou qual a relação entre a história de amor dos protagonistas e o inusitado encontro de um deles com o Homem de Barlovento.

GARMATZ, Bruno. O homem de Barlovento. Curitiba: Artes&Textos, 2013.

Obs.: um exemplar de O homem de Barlovento foi doado pelo autor a este blogueiro. Agora, após a leitura e a presente resenha, a obra deve compor o acervo do Espaço de Leitura e Pesquisa em Artes Aldenor Pimentel, do Espaço Cultural Harmonia e Ritmo, em Boa Vista (RR).

Leia outras resenhas:  



terça-feira, 20 de junho de 2017

Entre ‘O Mundo Perdido’ e Sherlock Holmes: um imenso abismo



(resenha do livro ‘O Mundo Perdido’, de Arthur Conan Doyle)

Ver em uma obra de ficção o lugar onde você vive é indescritível. Foi esse motivo que me fez ler o clássico ‘O Mundo Perdido’, de Arthur Conan Doyle: a narrativa se passa, no começo do século XX, no Monte Roraima, montanha que, além de eu já ter subido, fica no Estado de Roraima, onde nasci.

A história não é ruim, mas nela dois pontos me frustraram: 1) sei que Doyle poderia escrever história bem melhor; 2) e há um tom eugênico, racista no discurso da obra.

Escrito em 1912, inspirado em relatos de terceiros sobre expedições à América do Sul, ‘O Mundo Perdido’ logo se tornou um clássico mundial de ficção científica. Nele, um grupo de exploradores ingleses faz uma expedição científica na Amazônia (Monte Roraima), onde se deparam com criaturas pré-históricas, tribos de homens-macaco e homens primitivos. É realmente fantástico!

Para quem não ligou o autor ao personagem, Conan Doyle é criador de Sherlock Holmes, personagem mais popular, inclusive, que o próprio escritor. ‘Um Estudo em Vermelho’, o primeiro livro (de muitos!) em que aparece o mais conhecido detetive da ficção, é tão fascinante que li em um único dia. Claro que não se pode exigir de um autor que todas as suas produções sejam tão boas quanto sua obra-prima, mas também não se pode exigir do público que não crie essa expectativa.

Bem, o outro motivo para ter gostado menos de ‘O Mundo Perdido’ é o seu discurso eugênico. Na história, narrada pelo ponto de vista eurocêntrico, leem-se os ingleses/europeus como raça superior, civilizada, nobre por natureza, em oposição aos povos por eles encontrados na América do Sul, que beiravam o estágio selvagem/animalesco. Em ‘O Mundo Perdido’, personagem indígena nenhum passa de figurante. Sei que esse é o discurso da época (inclusive, o científico), o que não é suficiente para me deixar menos incomodado com o discurso.

Também procurava, mas não consegui ver em profundidade na obra a região que hoje é Roraima (o Estado). Fico me perguntando se fiz uma leitura rápida demais! Na obra, é fácil encontrar uma boa descrição: a) do porto e do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus; b) do Monte Roraima; c) e da paisagem entre a cidade amazônica e a montanha: o rio-mar e seus afluentes dentro da mata fechada.

Entretanto, exceto o que se refere especificamente ao monte, lembro uma única e rápida descrição sobre a vegetação que identifiquei como sendo de Roraima: em determinado momento, o narrador fala de uma mudança brusca na paisagem, de floresta para uma vegetação rasteira. Seria o que os roraimenses chamamos de lavrado (savana).

Apesar do relato acima, deixo claro: não só não me arrependo da leitura, como a indico!

Até a próxima!

DOYLE, Arthur Conan. O mundo perdido. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.

Em tempo: uma versão anterior deste post dizia que a inspiração de 'O Mundo Perdido' eram relatos do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg. Entretanto, este esteve pela primeira primeira vez no norte do Brasil (Amazonas e Roraima) e na Venezuela entre os anos de 1911 e 1913, e somente publicou a obra acadêmica ‘Do Roraima ao Orinoco’ em 1917. A menos que Conan Doyle tivesse uma máquina do tempo, como no famoso romance de H. G. Wells, é pouco provável que Doyle tenha tido acesso ao livro de Koch-Grünberg, somente publicado anos depois do seu. Obrigado pelos esclarecimentos, Roberto Mibielli, professor de Letras da UFRR!

Leia também:

Resenha: Daniel Sapeca e o Diamante Azul do Tepequém (Clotilho Filgueiras)

Resenha: Rapadura é doce, mas não é mole (José Vilela)