terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A diáspora da literatura de Roraima

Hoje eles vivem em outros pedaços de chão, mas levam na sua produção literária o gene de quem por anos tocou com os próprios pés a Terra de Makunaima.

Conheça alguns poetas, escritores e ilustradores cujo talento orgulha Roraima, mesmo à distância.

Lívia Milanez


Piauiense de nascença e roraimense de criação, recebeu prêmios literários já na adolescência: em concursos de contos contados da então Escola Técnica Federal de Roraima (hoje IFRR) e do Governo do Estado. Aos 14 anos, ficou em 2º lugar nacional no Concurso Literário “Escreva uma Carta a Caminha”, do Jornal do Commercio, de Pernambuco.


Autora do canal A Grande Desova e homenageada em 2015 pelo trabalho com o blog Resenhas do Prêmio Sesc de Literatura, lançou recentemente, com outros autores, em Brasília, onde mora e trabalha como analista de Relações Internacionais, o livro ‘Novena Para Pecar em Paz’ (2017, Penalux), com o conto ‘Um Caule de Mogno’.
Francisco Alves

Maranhense de nascença e roraimense desde criança, Francisco Alves ganhou prêmio literário nacional ainda jovem (classificou-se entre os três melhores do Concurso Nacional de Poesia, edição Cruz e Souza, em 2004), além de ficar em 1º lugar no Concurso de Poesia (Conpoesi), do Sesi-RR.


Ainda em Roraima, publicou o livro Poemas a Meia Carne (2008) e recentemente, morando em Brasília, onde faz Doutorado em Literatura, lançou Poemas Urbanóides (2017, Letras e Versos) e Ruídos Noturnos & Poemas do Esquecimento Vivo (2017, Letras e Versos).


Cristino Wapichana

Músico, cineasta e escritor, Cristino Wapichana representou Roraima em 2006 no Festival de Música Cidade Canção (Femucic), em Maringá (PR). Natural de Boa Vista, Cristino já morou no Rio de Janeiro e atualmente vive em São Paulo.

Venceu em 2007 o 4° Concurso FNLIJ/UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas e recebeu menção honrosa em 2014. Neste mesmo ano, foi agraciado com a Medalha da Paz, do Movimento União Cultural, que em 2015, também lhe concedeu o Prêmio Litteratudo Monteiro Lobato. Em 2008 e 2014, foi indicado ao Prêmio da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República.

Publicou os livros: A Onça e o Fogo (2009, Manole), Sapatos Trocados (2014, Paulinas), A Oncinha Lili (2014, Edebe) e A Boca da Noite (2016, Zit).

Sapatos Trocados recebeu em 2015 o selo altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em 2017, a mesma entidade premiou também a obra A Boca da Noite, como melhor livro para crianças. No mesmo ano, esta publicação ficou ainda em terceiro lugar na categoria melhor livro infantil do 59ª Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil. Além disso tudo, recentemente Cristino Wapichana foi o único brasileiro entre os dez melhores livros infantis de 2017 do prêmio Peter Pan, da Suécia, com A Boca da Noite. Além do idioma sueco, esta obra também ganhou versões em dinamarquês.


Ina Carolina

Nascida em Boa Vista, atualmente vive em São Paulo. É escritora e ilustradora. Em 2015, lançou o quadrinho independente Apneia.

Junto com outros autores, Ina ganhou em 2017 o Prêmio Jabuti, na categoria Infantil Digital, com o livro Kidsbook Itaú Criança (2016, Agência África). Na obra, ela fez ilustrações para a história O Cabelo da Menina, escrita por Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu. O livro também tem como autores: Marcelo Rubens Paiva e Alexandre Rampazo, Luis Fernando Verissimo e Willian Santiago, Adriana Carranca e Brunna Mancuso, Antonio Prata e Caio Bucaretchi.


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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Livro de Cristino Wapichana é finalista de prêmio na Suécia

A versão em sueco de A Boca da Noite, de Cristino Wapichana, está entre os dez melhores livros infantis de 2017 do prêmio Peter Pan, da Suécia. Ilustrada por Graça Lima, A Boca da Noite é a única obra brasileira da lista.

O prêmio é concedido anualmente pelo IBBY (Conselho Internacional sobre Livros para Jovens), da Suécia, a um livro infantil ou juvenil de autor estrangeiro. Entre os dez escolhidos desta edição estão ainda: dois da China, dois do Canadá, um da Alemanha, um da Holanda e um da França.


O lançamento da versão em sueco de A Boca da Noite (Nattens Mun) foi na Feira do Livro, em Gotemburgo, no ano passado. A obra já havia sido incluída na lista de honra do IBBY, instituto que está presente em 60 países. 

A cada dois anos, o instituto sueco escolhe para entrar na lista a obra de um escritor, um tradutor e um ilustrador vivos. A entrega do certificado a Cristino Wapichana está prevista início de setembro, em Atenas.

A Boca da Noite ficou em terceiro lugar na categoria livro infantil do Prêmio Jabuti 2017.

Para ler resenhas de livros infantojuvenis de Roraima, acesse:

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Literatura em Roraima: fazer coletivo

A literatura em Roraima anda em coletivo. 
Para você, algumas dessas inciativas:


Inicialmente denominado Coletivo Arteliteratura Caimbé, decidiu parar de competir com a princesa Isabel e reduziu o nome para Coletivo Caimbé.

Sua primeira iniciativa foi uma intervenção cultural para comemorar o Dia Nacional da Poesia, em 14 de março de 2009, na Praça das Águas, Centro de Boa Vista (RR). Mais de cinco mil pessoas participaram das leituras e exposição de poesia, show musical e produção de textos.

É mais conhecido pelas diversas edições do Sarau da Lona Poética, um verdadeiro encontro de artes integradas. O Caimbé já levou ações de incentivo à leitura e à literatura a diversos bairros de Boa Vista, municípios de Roraima, comunidades indígenas e até outros Estados.

Atualmente, o coletivo é formado pelo casal Edgar Borges e Zanny Adairalba, além de parceiros. Modernex e nada ciumento esse casal... Tudo pela literatura!

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Máfia do Verso


Como toda máfia, seus integrantes são espertos e organizados. Trata-se de uma cooperativa de poetas cujos rendimentos com a publicação de um livro financia a obra do mafioso seguinte. Já lançaram cinco títulos, desde 2013, de Roberto Mibielli, Sony Ferseck, Eli Macuxi, Marcelo Perez e Devair Fiorotti.

Além das publicações, a Máfia do Verso atua na realização de encontros destinados à poesia e realiza trabalhos em escolas estaduais de Boa Vista, aonde leva livros e autores, com o objetivo de difundir a literatura local.

Sony Ferseck, Devair Fiorotti, Eli Macuxi e Marcelo Perez.
Só faltou o Roberto Mibielli!
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Coletivo de intervenção urbana em Boa Vista, que explora a poesia como forma de protesto e expressão, para levar arte às ruas da cidade.

Idealizado por Felipe Thiago e Hander Frank, com apoio de voluntários, o coletivo é conhecido pelos lambe-lambes, gana, paixão e muita criatividade!


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Galera da Prosa

Este é o grupo mais jovem dos quatro: nasceu em dezembro de 2016, com a proposta de discutir periodicamente um texto literário em elaboração (conto, crônica, trecho de romance, etc.) de autoria de um dos membros, escritores publicados ou não.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Receita no Verso, a mais antiga publicação literária periódica em atividade em Roraima

O fanzine ‘Receita no Verso’ é provavelmente a publicação literária periódica com mais tempo de vida em Roraima. Criado em 2012 pelo escritor e poeta Marcelo Perez, o fanzine publicou até agora mais de 300 textos, entre poemas, contos, crônicas e artes visuais. Nesses seis anos, além de textos do próprio Marcelo, foram cerca de 50 colaboradores, de Leminski a Bukowiski, de Eli Macuxi a Agda Santos.

Como ideia, Receita no Verso surgiu em uma oficina literária e se tornou projeto de estágio de Marcelo, na época estudante de graduação em Letras/Literatura da UFRR. Marcelo Perez é o editor, diagramador e designer da publicação, o que inclui recortar, desenhar e colar gravuras no papel. São cerca de 200 exemplares por edição, distribuídos gratuitamente.

O fanzine tem 8 páginas: é uma folha de papel A4 xerocada e dobrada em quatro partes. Mas, ainda que pequeno, não é um tipo de leitura possível de se fazer de uma hora para outra: é preciso ler várias vezes, degustando cada verso da receita.


Receita no Verso: edição de maio de 2012.
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Gabriel Alencar: promessa literária que já começa a se cumprir

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Gabriel Alencar: promessa literária que já começa a se cumprir

Imagine receber dois prêmios no primeiro concurso literário em que se inscreveu. Imagine ainda, às vésperas de se inscrever, não ter um dos textos prontos e se ver obrigado a pesquisar na internet as características que um conto deve ter. Pare de imaginar: esse talento existe e se chama Gabriel Alencar, primeiro lugar na categoria Poesia e terceiro na categoria Conto, do Concurso Literário Aldenor Pimentel (2016), restrito a autores de Roraima.

Fonte: acervo pessoal (Gabriel Alencar)
Não para por aí: além disso, no ano seguinte, ele ficou em segundo lugar na categoria Conto do mesmo concurso, agora denominado Concurso Literário Internacional Palavradeiros. Dessa vez, só não voltou a ser premiado em Poesia porque, nesta edição, a categoria foi exclusiva para estudantes de ensino fundamental e médio de Roraima. Graduado em Relações Internacionais, atualmente, Gabriel cursa Mestrado em Sociedade e Fronteiras.

Gabriel Alencar era uma promessa. Mas, passado pouco mais de um ano de sua “revelação”, já mostra a que veio. Ficou em 10º lugar no III Concurso Cultural de Microcontos da Biblioteca do IFSP (Araraquara), categoria “Humor”, e teve vários contos e poemas publicados em sites literários.

Músico e escritor, aventura-se na ficção científica, fantasia, drama e humor. Aliás, seus textos dialogam como ninguém com a nova geração de um modo que nenhum dos renomados escritores do Estado conseguem. Se quiser, Gabriel Alencar será um grande nome da literatura de Roraima, para a nossa alegria!

Obs.: O conto Corrida Noturna e o poema Calo no Pé, de Gabriel Alencar, podem ser lidos na antologia do II Concurso Literário Internacional Palavradeiros, que pode ser baixada gratuitamente clicando aqui

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Resenha: Dicionário de Roraimês (Júnior Brasil)

Sabe quando você tem uma ideia que acha incrível, anota algumas coisas para encaminhar o projeto e, tempo depois, vem outra pessoa e faz? Pois é! Foi a sensação que tive em relação ao Dicionário de Roraimês, de Júnior Brasil, publicado em 2016, pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Confesso: bem que queria ser o realizador desse projeto, mas não sou nem mesmo o primeiro a idealizá-lo. Foi assim: em 2007, conheci o Dicionário de Termos Populares do Acre, de Mauro Modesto, publicado no ano anterior. Mas, na época, Júnior Brasil já havia tido a ideia de escrever o Dicionário de Roraimês.

Isso mesmo! Segundo a apresentação deste livro, o autor roraimense teve o lampejo em 1993, quando conheceu o dicionário regional, em Salvador (BA). Aliás, quando eu soube que o projeto roraimense havia sido aprovado na Lei de Incentivo já fiquei feliz e torci desde ali para que saísse logo do papel, o que se deu anos depois.

Foto: site Eu Sou de Roraima
Com hilárias ilustrações de Kenedy, o dicionário traz expressões que são a nossa cara, com explicações e exemplos em tom coloquial, sem pretensões filológicas. Diversão garantida, conforme as expectativas reveladas pelo próprio autor, na apresentação da obra!
‘Maceta’, ‘caboco’, ‘carapanã’, ‘até o talo’ são algumas das palavras e expressões registradas e devidamente explicadas em Dicionário de Roraimês. Além disso, deparei-me com várias novidades, entre elas diversas e criativas formas de se referir às nossas “vergonhas” (como diria Caminha), masculinas e femininas.

O próprio Júnior Brasil informa também, na apresentação do livro, que muita coisa ficou de fora de sua “garimpagem”, que foi de suas lembranças às conversas ocasionais e “forçadas” com o “pessoal das antigas”, de acordo com ele mesmo. De fora, também ficaram “modismos de tribos urbanas”, como “Agora bem aí!”, e expressões usadas aqui, porém mais a cara de outras regiões, como Pai d’égua.


Dicionário de Roraimês precisava mesmo ser publicado. Concorda, parente?

BRASIL, Júnior. Dicionário de Roraimês. Boa Vista: Ioris, 2016.

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Literatura de Roraima é destaque em mapeamento da produção independente brasileira

Informações sobre poetas e escritores de Roraima podem ser encontradas na página do mapeamento da produção gráfica e literária independente no Brasil. Entre os dados que on-line estão os dos seguintes autores: Aldenor Pimentel, Devair Fiorotti, Eli Macuxi e Ricardo Dantas. Está ainda prevista a divulgação de informações sobre nomes como Eliakin Rufino, George Farias, Jaime Brasil, Roberto Mibielli e Sony Ferseck.

O poeta Devair Fiorotti foi o primeiro autor
de Roraima a ser destaque no mapeamento.
O mapeamento é a primeira etapa de trabalhos da e-cêntrica, iniciativa que busca alternativas para a circulação da produção gráfica e literária independente no País. Entre os dados disponíveis estão: publicações, biografia do artista, canais de divulgação e contato.

A primeira etapa do levantamento encerrou no primeiro semestre de 2017, mas a coleta de dados continua. Foram mapeados autores, editoras e coletivos. O mapeamento é coordenado pela Casa da Cultura Digital (GO), com o apoio da Lei Goyazes.

Os interessados podem fornecer informações ao mapeamento neste link.

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