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terça-feira, 19 de maio de 2020

Escritores de Roraima fazem vídeo para incentivar a leitura durante pandemia

Fique em casa e leia um livro. Essa é a mensagem de um grupo de autores de Roraima em um vídeo que tem circulado pelas redes sociais. Para incentivar a leitura durante a pandemia de coronavírus, os escritores interpretam no vídeo, de menos de dois minutos, um trecho da crônica “O livro é o melhor amigo do homem”, de Edival Lourenço. A produção pode ser conferida ainda neste link



Participam do vídeo os autores Rosidelma Fraga, Sérgio Murilo, Marcelo Perez, Zanny Adairalba, elimacuxi, Aldenor Pimentel, Edgar Borges, Roberto Mibielli, Neto Freitas, Gabriel Alencar, Otaniel Souza e Vanessa Brandão. 

A produção faz parte de uma campanha para incentivar a leitura de livros e outras criações literárias durante o período de isolamento social. Na segunda fase da campanha, os escritores gravarão vídeos individuais com textos de autoria própria. Além dos vídeos, a iniciativa compartilha ainda, como sugestão de leitura, uma lista de blogs literários e livros digitais de autores de Roraima disponíveis gratuitamente na internet. A lista está disponível em neste link.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Entrevista com o escritor Gabriel Alencar

A quinta entrevista da série com escritores de Roraima é com Gabriel Alencar. 

Nascido e criado em Roraima, Gabriel Alencar ingressou na literatura em 2016 após participar do Concurso Literário Aldenor Pimentel. Desde então, tem conquistado diferentes prêmios e reconhecimentos literários no Brasil e, recentemente, lançou o livro "Personagens não bíblicos e suas histórias" (2019), publicado pela editora Cultor de Livros.


Como se deu seu contato com a leitura? Alguém o incentivou? 

Meu primeiro contato com a leitura foi na infância. Eu estudava no Objetivo e ganhei um concurso de leitura (era um livro do Menino Maluquinho). Mas foi no começo da adolescência que o gosto pela leitura realmente apareceu. Meus pais me levaram para conhecer a Biblioteca do Palácio da Cultura, em Boa Vista. Aquele mundo de oportunidades se abriu e nunca mais saí dele. Lembro que o primeiro livro que emprestei lá foi "O poeta e o cavaleiro", de Pedro Bandeira. Eu aproveitava as férias da escola para ler e ia quase todos os dias à biblioteca. Houve um mês que eu li 30 livros. 


Que livros você mais gostou de ler na vida? De que gêneros, escolas literárias e temas você mais gosta? 

Como um bom nerd, fantasia e ficção científica sempre foram meus tipos favoritos. Mas tenho um apego pelo drama, que me vem desde a infância também. Não é à toa que leio com gosto Érico Veríssimo, Dostoiévski, Hemingway; mas eles dividem estante com Lewis, Tolkien, Douglas Adams, etc. O que descobri é que não existe necessariamente um tema ou gênero de que eu mais goste. Leio do terror à comédia sem problemas, o que importa pra mim é que o livro tenha a capacidade de me fazer imergir na história para que, por um momento, a mágica aconteça e eu seja transportado para outro lugar. 


Quais são suas influências artísticas? Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção?

Por mais nerd que eu seja, minha principal influência está em Érico Veríssimo. Seu estilo despojado e seu apego ao cotidiano, às coisas simples da existência humana, e a tradução disso em linguagem acessível a todos se tornaram algo tão marcante que eu me propus a transmitir isto também para o que eu escrevo. Eu invejo um pouco a psicologia profunda de Dostoiévski, não nego. Existem vários destes que com certeza me influenciam indiretamente. Eu talvez só não veja. O sonho de criar um mundo fantástico, por exemplo, ainda crepita dentro de mim (culpa de Tolkien e Lewis). 


Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima? 

Cheguei a comentar isso em outra entrevista: acho surpreendente como a cena literária roraimense é propensa à cooperação. Evidente que não é isenta de conflitos, mas a vontade de cooperar tem sido um marco na minha trajetória. Veja bem: eu, um escritor ao acaso, desconhecido, tenho escritores já consolidados e experientes ao meu redor que estão constantemente me auxiliando, dando dicas, sugerindo melhorias, etc. Isto me ajuda a crescer, a aprender. Certa vez, comentei com um colega escritor de Brasília e mencionei esta nossa cena local. Ele achou algo de outro mundo. Disse que por lá algo assim seria inimaginável, num "dog eat dog world" em que todos querem devorar. Eu acredito piamente que se preservarmos ao máximo nosso desejo de cooperar, todos podem crescer muito em Roraima. 


Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 

Esse é difícil. Primeiro porque devo admitir meu pecado: não leio tantos autores roraimenses quanto deveria. Em parte, é pelo medo. Tenho medo de não gostar. E não consigo mentir. Especialmente por conta das resenhas que posto com alguma frequência no meu blog. Mas posso falar que, dos que já li, tenho três favoritos: Devair Fiorotti, Aldenor Pimentel e Edgar Borges. 

Com estes dois últimos, sinto familiaridade nos textos. Acho que temos algo em comum na escrita de contos, talvez até nas abordagens poéticas. Já o primeiro, desculpem rapazes, está em outro nível. A qualidade do material do prof. Devair é fenomenal, fruto de anos de pesquisa e experiência acadêmica que só os anos podem dar. 


O que você diria sobre a nova geração de escritores de Roraima? 

Agora complicou (risos). Complicou porque, julgo eu, me encaixo nessa categoria bem aí. O que dizer da nova geração? Não tenho ideia. Estamos tentando criar literatura; mas, como todos que vieram antes de nós, temos mil afazeres e preocupações. É difícil dedicar-se melhor à literatura. Produzimos algo diferente? Inegável. Seria isso melhor? Questionável. Não temos experiência ainda (é muita ousadia falar em nome de toda a geração, corta isso). Não tenho experiência ainda. Mas produzimos algo diferente porque somos outra geração, temos um Zeitgeist diferente que nos permeia, somos marcados por novos processos. Só o que precisamos é aplicar isso a uma literatura cada vez mais qualificada. 


Quais são seus objetivos, como escritor? 

Excelente pergunta. Eu saí da música e caí na literatura bem ao acaso. Pra ser bem sincero, ainda não tenho plena consciência do que estou fazendo, só sei que está dando certo. Aliás, as coisas aconteceram tão rápido e deram tão certo, que não tenho dúvidas de que a escrita foi um presente de Deus. Partindo disto, acho que meu grande objetivo é servir ao Senhor com este dom. Onde isso vai levar? Ou melhor, onde quero chegar com isso? Bom, isso ainda não sei. 


Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 

Ah, com certeza ter ganhado aquele primeiro concurso em 2016. Ali foi um "turning point", um momento em que meus olhos foram abertos para uma nova possibilidade. Ouso dizer, pelo menos até agora, que foi maior até mesmo do que o lançamento do meu livro. Tudo que aconteceu depois derivou dali. Embora, é claro, todo o processo de "Personagens não bíblicos e suas histórias" (desde sua concepção, até sua publicação e lançamento) foi algo que maturou demais meu conceito sobre literatura e mercado literário. 


Como você caracteriza os textos que produz?

Vish, aí acho que esta seria uma pergunta para um crítico de literatura, ha ha. Não tenho know-how suficiente pra dizer algo assim. Arrisco a dizer que são textos sempre informais, ou simples. Mas isto não expressa bem ainda a coisa. Até mesmo os textos que eu produzi há três anos já não tem as mesmas características dos que eu produzo hoje. Meu parecer final, penso, é que ainda estou muito "verde" pra apontar algo assim com clareza.


Como é o seu processo de criação? 

Excelente pergunta. Na música eu saberia responder isso com bastante facilidade. Mas, na literatura, creio que o processo se dá de três modos: ideia do começo, ideia do fim, demanda de ideia. Às vezes, tenho ideia do começo de algo e resolvo explorar, pra ver aonde vai chegar; às vezes tenho a ideia do fim e resolvo escrever algo para chegar ali. A demanda da ideia, por sua vez, tem sido o mais comum. Quando participo de concursos literários, vejo o que é necessário (limite do tamanho do texto, temática, etc). e escrevo a partir desses parâmetros. Algumas vezes, a isto soma-se a "ideia do começo/fim"; mas, quando não ocorre, faço muito brainstorm (de preferência com outras pessoas) até sair algo que eu diga "ah, com isso eu posso trabalhar". E escrevo. 


O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 

Fantasia. Mas uma fantasia que vai além de dragões e magos. O que me inspira a escrever são as coisas simples da vida. Assim como Érico Veríssimo, acredito que a verdadeira magia não está nas grandes coisas, mas nas nossas lutas diárias, nas derrotas e vitórias, nos pequenos sorrisos, na vida do dia a dia. Chamo isso de "fantasia do cotidiano". Hoje, acho que mesmo se escrevesse um romance de fantasia, eu ainda escreveria algo utilizando esse recorte. 


Fale sobre os livros que você publicou. 

Por enquanto, tenho apenas um: "Personagens não-bíblicos e suas histórias", obra de ficção cristã. Trata-se de uma antologia contendo 22 contos que abordam o cotidiano de pessoas que teriam vivido nos tempos de Jesus. Os contos enfatizam as coisas simples do dia a dia, possibilitando ao leitor relacionar-se com as personagens e perceber que Deus não está apenas nos grandes acontecimentos, mas em todos eles. Utilizo a cronologia do Novo Testamento para trazer o olhar de personagens que não participaram diretamente dos grandes acontecimentos de sua época, mas que estavam lá vivenciando tudo. 


Como você tem conseguido viabilizar financeiramente a publicação dos seus trabalhos?

No momento, tudo é graças à editora Cultor de Livros, que acreditou na proposta do livro e o publicou nos moldes tradicionais. Mas além disto, utilizo com bastante intensidade as redes sociais e plataformas on-line gratuitas. O engajamento nas redes sociais é algo que tem impulsionado bastante o meu trabalho.


Quais são seus projetos futuros? 

Só perguntas excelentes. A resposta é simples: não tenho ideia. Como falei, a literatura caiu no meu colo e ainda estou tentando lidar com isso. Não sei até que ponto vou deixar a Música de lado (se é que vou fazer isso) e nem sei que caminho percorrer ainda. Por hora, admito que tenho ideia para pelo menos dois outros livros: um de microcontos/crônicas e outro um romance de fantasia. Mas tudo ainda está bastante no mundo das ideias. A verdade é que não sei bem ainda que caminho escolher. 


Caso queira acrescentar algo a mais que não foi perguntado, fique à vontade. 

Só gostaria de reforçar. Nunca foi tão evidente que o que eu tenho feito não é meu. Não é algo que vem de mim. Deus tem aberto as portas e me presenteado com tudo isso, nunca tive tanta certeza de algo. Na música, quem sabe eu ainda cairia no erro de querer reivindicar alguma glória, uma vez que estudei com afinco o piano, cello, canto lírico, teoria musical para escrever as composições, etc. Mas, por outro lado, na literatura não tenho aporte nenhum. Não dá nem pra tentar. A literatura, para mim, foi um presente de Deus. 


Redes sociais 

(hoje em dia 90% de tudo que publico está no Instagram @escritoraoacaso. Recomendo seguir!)


Blog 



Link para comprar seu livro 

(embora o mais eficiente talvez seja comprar diretamente comigo, por meio do Instagram ou Facebook) 


Outras entrevistas da série com escritores de Roraima

quarta-feira, 27 de março de 2019

Entrevista com o escritor Marcelo Perez

A quinta entrevista da série com escritores de Roraima é com Marcelo Perez.

Graduado em Letras, com habilitação em Literatura, pela Universidade Federal de Roraima (2012), e especialista em Metodologia do Ensino de Artes pela UNINTER – Centro Universitário Internacional (2014), Marcelo Perez, desde 2012, publica o fanzine Receita no Verso, em que é responsável pelas arte, diagramação, organização e distribuição gratuita. 

Tem dois livros publicados: “Ainda se estivesse faltando pedaços”, de poemas (2015) e “O desgaste do tempo nos dentes”, de contos (2017). 

Como se deu seu contato com a leitura?
Meus pais leram contos pra mim. Nós também ouvíamos histórias nos discos. A minha mãe escrevia poemas. Eu também cresci vendo o meu pai lendo revistas e jornais. Depois veio a escola. 

Que livros você mais gostou de ler na vida? De que gêneros, escolas literárias e temas você mais gosta? 
Os livros que me marcaram foram os da coleção Vaga-lume: “A ilha perdida”, “O caso da borboleta Atíria”, “O escaravelho do diabo”, “A turma da rua quinze”, “A serra dos dois meninos”; e “O encontro marcado”, de Fernando Sabino. Adoro contos e poemas. Hoje, por conta da escrita, acabo lendo mais o gênero que estou escrevendo. Não tenho tema preferido. 

Quais são suas influências artísticas?
Adoro Luis Fernando Veríssimo, Fernando Sabino, Caio Fernando Abreu, Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Mário Bortolotto, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes, Edgar Alan Poe, Charles Bukowski, Dostoiévski, Kafka, Tchekhov, J.D. Salinger, Beckett, David Goodis e outros. Esses eu tenho em casa e sempre volto à leitura. Torço pra que minha obra tenha características desses autores. 

Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima?
Muita produção literária, lançamentos de livros por editoras e independentes, saraus, encontros de literatura e coletivos literários. Só posso concluir que estamos diante de um cenário promissor. 

Que trabalhos literários roraimenses você mais admira?
Como publico o fanzine Receita no Verso, leio muitos poemas de diversos poetas. E tem muita gente mandando bem em Roraima! Vale destacar os poemas da Máfia do Verso – Roberto Mibielli, Sony Ferseck, Elimacuxi, Zanny Adairalba e Devair Fiorotti. Também curto muito os poemas de Brendo Vieira Santos, Jaime Brasil, Sâmia Araújo. Na prosa, destaco Meia Pata, de Ricardo Dantas; Índios em busca pela vida, de José Vilela de Moraes e os contos do Livrinho da Silva, do Aldenor Pimentel. 

O que você diria sobre a nova geração de escritores de Roraima? 
Ela traz a diversidade de temas. As paisagens do estado não são mais o foco. Eu me enquadro nessa nova geração. 

Quais são seus objetivos, como escritor? 
Quero publicar e ser lido. 

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 
Quando lancei meu primeiro livro, “Ainda se estivesse falando pedaços”, de poemas, pela Máfia do verso, em 2015. Ali percebi que já havia um caminho e que não dava mais pra voltar atrás. 

Como você caracteriza os textos que produz? 
Eu escrevo sobre o que vivencio. Considero minha escrita autobiográfica. 

Como é o seu processo de criação? 
Caos total. Com poemas, rascunho palavras, frases, vou perseguindo uma forma e quando percebo tô enfurnado na escrita desse caos. Os contos do meu livro “O desgaste do tempo nos dentes” surgiram a partir da observação de pinturas expressionistas. Assim surgiu a ideia, eram microcontos. Depois, a cada leitura eu avançava um pouco e quando vi minha vida tava ali, dando sentido às histórias. O novo livro de contos vem da observação do universo escolar. As situações, personagens e a minha identificação com eles foram o ponto de partida.

O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 
Escrevo sobre essa vida transtornada, essa rotina veloz que tenta a todo o momento me confundir. 

Fale sobre os livros que você publicou. 
“Ainda se estivesse faltando pedaços”, publicado pela Máfia do Verso em 2015, foi o que me afirmou a identidade de escritor. Mesmo já reconhecendo a presença constante da escrita no meu cotidiano, o convite feito por outros escritores para a publicação dessa obra foi marcante. Reuni poemas de épocas distintas da minha vida, desde a adolescência até o ano da publicação, em 2015. “O desgaste do tempo nos dentes” foi independente, fruto da minha experiência com a publicação do fanzine Receita no Verso, fiz a capa, a diagramação, parte da revisão. É um livro que tenho muito carinho por ele. 

Como você tem conseguido viabilizar financeiramente a publicação dos seus trabalhos? 
Como disse, o livro de poemas foi publicado pela Máfia do Verso e o de contos, “O desgaste do tempo nos dentes” foi independente. O fanzine Receita no Verso distribuo gratuitamente. 

Quais são seus projetos futuros? 
Tenho dois livros na fase de criação de capa. Um livro de poemas com o título provisório “Me arrebenta por dentro quando penso” e um de contos, com o título provisório “Entre tribos e atritos”. O de contos foi resultado da Bolsa de Criação Literária, projeto aprovado pela FUNARTE em 2012, no qual fui contemplado para criar 20 contos.

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Entrevista com a escritora Loretta Emiri

A partir de hoje, vamos fazer uma série de entrevistas com escritores e ilustradores de Roraima, o que inclui nascidos no Estado e aqueles que, em algum momento na vida, fizeram, das terras mais ao norte do Brasil, sua morada. 

Conheça Loretta Emiri, italiana de nascença, apelidada pelos yanomami de Horeto Mỳsi, que quer dizer algo como Andorinha Da-terra-de-cima. 


Apresentação 

Quando pequena, já dizia que queria me tornar escritora e que desejava trabalhar no chamado terceiro mundo. Ao alcançar a idade certa para fazer escolhas de vida, resolvi deixar a Itália e me mudar para a Amazônia brasileira, tendo certeza de que a convivência com os indígenas sugeriria assuntos importantes e originais que, num segundo momento, poderiam ser tratados pela escrita e transformados em literatura. Realizei meus sonhos infantis. Durante 18 anos, trabalhei com os índios brasileiros na defesa de seus direitos. Por mais de quatro anos morei no mato, vivendo entre os yanomami os anos mais felizes da minha vida. A reelaboração literária da privilegiada experiência feita me permite afirmar, hoje em dia, que estou dando continuidade à própria experiência. Minha escrita é a serviço da dignidade e dos direitos dos povos indígenas brasileiros, sem deixar de ser uma arte que melhora e enriquece minha própria vida. 


Como se deu seu contato com a leitura? Alguém a incentivou? 

Minha avó paterna, que era professora, e meu avô materno estavam sempre lendo alguma coisa. O primeiro livro de poemas que chegou às minhas mãos pertencia a esse meu tenro vovô. Desde menina, se alguém queria me fazer presentes, eu pedia que fossem livros. 


Quais são suas influências artísticas na escrita literária? Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção? 

Autores come Grazia Deledda, Giovanni Verga, Luigi Pirandello, Cesare Pavese, Primo Levi, Beppe Fenoglio, Edgar Allan Poe, Hans Ruesch têm alimentado minha paixão pela leitura e pela escrita. Nos meus trabalhos, dou ênfase aos sentimentos, pensamentos, emoções dos personagens. Procuro ser muito sintética, direta. Utilizo até termos pouco usados, mas que remetem à minha experiência e bagagem cultural, pois é uma maneira de manter rica uma língua e manter vivos momentos específicos de histórias pessoais e da história em geral. 


Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 

Admiro muito o escritor Cristino Wapichana. Seus livros, suas performances, sua incansável atividade visam sensibilizar a opinião pública, especialmente as crianças, sobre valores e direitos dos povos indígenas. Ele já ganhou prêmios importantes, participou de feiras de livros no exterior, já se viu traduzido em outra língua

Uma obra que está fazendo a volta do mundo é aquela escrita pelo xamã yanomami Davi Kopenawa, coadjuvada pelo etnólogo Bruce Albert. Gravada em língua yanomami, impressa em francês, inglês, português e italiano, a obra, cujo título em português é ‘A queda do céu’, é uma verdadeira enciclopédia contendo informações sobre, vida, cultura, língua, mitologia, história, agressões, mortes e vitórias desse povo. 

Também admiro Zezé Maku (Miranda de Aquino) pela preocupação com a preservação da natureza; amos os poetas Eliakin Rufino e Beta Cruz (Roberta S. Cruz). 


Quais são seus objetivos, como escritora? 

Um amigo escreveu que os meus contos são de manutenção do espírito. Quando escrevo, é isso mesmo que acontece: faço higiene mental, reorganizo o caos interior, dou manutenção ao espírito. Naturalmente espero que essa atitude beneficie os leitores também. Além disso, com a escrita exprimo carinho e solidariedade para com os índios brasileiros, pois eles deram sentido à minha vida.  


Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 

Por ser mulher, sozinha, estrangeira trabalhando com os índios, fui marginalizada, discriminada, caluniada. Escrever poemas muito me ajudou a lidar com a solidão. Adolescente, tinha escrito poemas em italiano. Quando eles brotaram em português foi emocionante, gratificante, um momento muito marcante. A apresentação do meu livro ‘A passo di tartaruga – Storie di una latino-americana per scelta’, em 2017 entrou na programação oficial do Salão Internacional do Livro de Turim. Em janeiro de 2018, uma emissora nacional italiana pôs no ar uma entrevista em que fiz questão de contestar os estereótipos que circulam sobre os índios. Em maio de 2018, me foi conferido o Prêmio Especial à Carreira, durante a segunda edição do ‘Prêmio Nacional Novella Torregiani di Letteratura e Arti Figurative’, pela defesa dos direitos dos índios brasileiros. 


Como você caracteriza os textos que produz? 

Como já disse: meus escritos fornecem manutenção ao espírito, meu e dos leitores, espero. Dizer que são contos, e autobiográficos, nada acrescenta: o que eu considero estar escrevendo é simplesmente narrativa. 


Como é o seu processo de criação? 

Uma ideia, uma lembrança, um conceito, se instala na minha cabeça. Aí não tenho mais paz até elaborar o embrião pela escrita e transformá-lo em literatura. Antes de começar a escrever, o título já está prontinho, bem definido na minha cabeça. 


O que a inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 

A privilegiada experiência feita entre os índios brasileiros é à base da minha escrita. Idas e vindas entre passado e presente, entre Europa e América Latina, entre primeiro, terceiro e mundo dito primitivo, fazem com que atemporal seja o tempo nos meus textos. Gosto de mostrar como as mesmas situações são resolvidas pelos povos indígenas, considerados inferiores, ou pelos ocidentais que se consideram superiores, sem sê-los. Há apenas culturas, línguas e habitat diferentes; mais diversificados e preservados eles são, melhores condições de vida têm os homens. 


Que livros literários você já publicou? 

Poemas meus foram incluídos nas antologias ‘Poetas brasileiros de hoje – 1986’ (Shogun, 1986); ‘Antologia de poesias’ (Edicon, 1988); ‘Sociedade dos poetas vivos, v. 3’ (Blocos, 1993); ‘Expressões poéticas’ (SESC, 1993). Em 1992, pela Edicon de São Paulo publiquei o livro de poemas ‘Mulher entre três culturas – Ítalo-brasileira ‘educada’ pelos Yanomami’. 

Em italiano, escrevi os livros de contos ‘Amazzonia portatile’ (Manni Editore, 2003); ‘Quando le amazzoni diventano nonne’ (CPI/RR, 2011); ‘Amazzone in tempo reale’ (Andrea Livi Editore, 2013) (Prêmio Especial para Ensaios do “Premio Franz Kafka Italia – 2013”); ‘A passo di tartaruga – Storie di una latinoamericana per scelta’ (Collana Incroci, 2016). 


Quais são seus projetos futuros? 

Espero continuar escrevendo coisas que falem do valor da diversidade cultural, de diretos individuais e coletivos, dos povos indígenas brasileiros. Espero fazer isso até o último dia da minha vida. 


Onde suas produções podem ser encontradas? 

Textos meus aparecem em várias revistas, entra as quais: ‘I giorni e le notti’, ‘El ghibli’, ‘La macchina sognante’, ‘Fili d’aquilone’, ‘Sagarana’, ‘Euterpe’, ‘Pressenza’, ‘La bottega del Barbieri’. 







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domingo, 3 de junho de 2018

Sessões coletivas de autógrafos de escritores roraimenses no II Sesc Literatura em Cena

Imagina cerca de 20 escritores de Roraima, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, disponíveis para bater aquele papo gostoso com os leitores, que poderão ainda adquirir livros direto com o autor... 

Serão três sessões de autógrafos, uma por dia, em diferentes horários (manhã, tarde e noite), pra todo mundo poder participar. 

Os horários 
Tarde 
Quarta (6/06), das 16h às 17h30 

Noite 
Quinta (7/06), das 19h às 20h30 

Manhã 
Sexta (8/06), das 10h às 11h30 

Escritores que confirmaram presença nas sessões de autógrafos (por ordem alfabética) 

Aldenor Pimenel: natural de Boa Vista (RR), é jornalista e escritor. Teve o projeto de circulação literária ‘Literatura a Caminho’ aprovado no Rumos Itaú Cultural 2017-2018 e o romance 'Eldorado de Brisa' selecionado para publicação em edital do Governo de Roraima. Primeiro colocado no 5º Prêmio Literário Sérgio Farina, categoria Prata da Casa, da Prefeitura de São Leopoldo (RS), recebeu outros 30 prêmios em concursos literários nacionais e internacionais. É autor das obras 'Deus para Presidência' (2015) e 'Livrinho da Silva' (2017) e organiza desde 2016 o Concurso Literário Internacional Palavradeiros. 

B. C. Garmatz: nascido em Ibirubá (RS), mora em Boa Vista desde 1983. É autor dos livros 'Conversando com Guillermo' (2007), 'O Homem de Barlovento' (2013) e 'Escolhas Erradas' (2013). 'Conversando com Guillermo' já foi adotado como livro de referência no vestibular da Universidade Federal de Roraima. 'O Homem de Barlovento' é referência do Vestibular UFRR 2019. 

Darkson Mota: natural de Boa Vista (RR), é consultor em dependência química, área em que trabalha há mais de 16 anos em Roraima. Escreveu o livro ‘O beijo da dependência química’. 

Devair Fiorotti: nascido em Itarana (ES), mora em Roraima atualmente. É agricultor, professor, pesquisador, artista plástico, fotógrafo, músico e escritor. Publicou os livros de poesia ‘Urihi: nossa terra, nossa floresta’ (2017), ’30 poemas e solidão’ (2012), ‘O livro dos amores’ e ‘Paiol’. 

Edgar Borges: venezuelano, descendente de wapichana, mora em Roraima desde a década de 90. É autor dos livros 'Roraima Blues' (2008) e 'Sem Grandes Delongas' (2011), além de ter participado de coletâneas de prosa e poesia. Como escritor, produtor cultural e contador de histórias, participou de feiras e bienais do livro e leitura do Rio de Janeiro, Paraná, Roraima e Rio Grande do Sul. Seu livro de poemas ‘Incertezas no Meio do Mundo’ foi selecionado recentemente para publicação em edital do Governo de Roraima. 

Edison Eroquês: gaúcho de nascimento, mora atualmente em Roraima. Seu livro ‘Eroquês – Histórias, Causas e Lendas – Em Poesia’ foi recentemente selecionado para publicação em edital do Governo de Roraima. 

Jaime Brasil: nascido em Boa Vista (RR), é defensor público e articulista. Escreveu os livros de poesia ‘Não’ (2014) e ‘50’ (2017). 

João Junges: nascido em Três Passos (RS), mora atualmente em Roraima. É autor dos livros ‘Aventuras de um desconhecido’, ‘Caminhando sobre os sonhos’ e ‘Grito de Alerta’. 

Lindomar Bach: nascido em Roraima, é artista autodidata. Artista plástico, ilustrador, cartunista, arte-finalista, diagramador, designer gráfico e escritor, é autor de obras como ‘Partículas’ (2007), ‘Brasas Vivas’ (2008), ‘Diário de um Inocente’ (2010), ‘Sementes da Alma’ (2015) e ‘Roraima. Terra que amo!’ (2015). Atualmente escreve os livros ‘JAMBOY, Pronto pro que der e vier’, ‘JAMBOY, e o sobrenatural’ e ‘JAMBOY, No mato sem cachorro’. Recentemente, seu romance ‘Aves de Arribação’ foi contemplado pelo edital de fomento à literatura do Governo de Roraima. 

Marcelo Perez: nascido no Rio de Janeiro (RJ), mora em Boa Vista (RR) desde 2004. É autor dos livros 'Ainda se estivesse faltando pedaços' (2015) e 'O Desgaste do Tempo nos Dentes e Outras Histórias' (2017). Desde 2012, é editor, diagramador e designer do fanzine literário 'Receita no Verso'. 

Roberta Cruz: nascida em Belém (PA), veio para Roraima com dois anos de idade. Formada em Jornalismo, lançou em 2011 a obra 'Um Tom para a Poesia', livro de poesia de três versos inspirado no haicai brasileiro, atualmente na segunda edição. 

Sérgio Murilo: natural do Rio de Janeiro, é roraimado desde 1981. Terapeuta ocupacional, tem poemas publicados na Coletânea dos Poetas Virtuais e nas antologias Retalhos II e III. Em 2004, venceu o Concurso de Poesia do Sesi (Conpoesi). É autor do livro de poesia ‘Eu... em versos...’. 

Sony Ferseck: natural de Belém (PA), cresceu em Boa Vista, onde se formou em Letras e trabalha como professora. É autora do livro ‘Pouco Verbo’ (2013). 

Tanner Menezes: nascido em Boa Vista (RR), é autor dos livros ‘Cinco Sentidos’ e ‘Conquis7as’. 

Walber Aguiar: é poeta, professor de filosofia, historiador, advogado, membro da Academia Roraimense de Letras e conselheiro estadual de Cultura. É autor do livro 'Vias e veias'. 
Zanny Adairalba: poeta e compositora, é autora de sete livros poéticos e uma peça teatral, além de cordéis que abordam temas variados. Acumula em seu currículo diversos prêmios por seus trabalhos literários e musicais. 


Não estarão presentes nas sessões, mas seus livros estarão à venda 

Simão Farias: natural de João Pessoa (PB), reside em Boa Vista (RR) desde 2004. É autor de livros de poemas, contos, roteiros de cinema, novela ilustrada e romance, como: 'De Literatura e Cinema' (2009), 'Tramas de Sujeitos e Identidades' (2010), 'Memória de vôos rasos e gravidades' (2016) e 'Ode de Ana Maria' (2016). Atualmente, está escrevendo o livro de ficção 'Romance'. 

Roberto Mibielli: natural do Rio de Janeiro, é professor universitário, crítico literário e poeta. Publicou o livro de poesia ‘ParTilha’ (2013).

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quinta-feira, 22 de março de 2018

Literatura indígena de Roraima


Depois de, por séculos, se verem retratados em narrativas de terceiros, eles resolveram escrever a própria história. Sem abandonar a tradição oral, apropriaram-se da escrita. Hoje, é possível falar em literatura indígena. Em Roraima, temos alguns bons exemplos desse fenômeno.

Jaider Esbell
Jaider Esbell ilustrou o livro Uhiri (2017), de Devair Fiorotti
Artista visual e escritor, da etnia macuxi, nasceu em Normandia e viveu até aos 18 anos onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol. 

É autor dos livros: Terreiro de Makunaima – mitos , lendas e estórias em vivências (2012) e Tardes de Agosto, Manhãs de Setembro, Noites de Outubro (2013).

O livro  ‘Terreiro de Makunaima’ foi publicado por meio do edital Bolsa Funarte de Criação Literária 2010. Além disso, Jaider Esbell teve projeto aprovado na Lei Rouanet.

Cristino Wapichana
O escritor mais premiado da história de Roraima é da etnia wapichana. Nascido em Boa Vista, Cristino Wapichana é autor das obras infantojuvenis: A Onça e o Fogo (2009, Manole), Sapatos Trocados (2014, Paulinas), A Oncinha Lili (2014, Edebe) e A Boca da Noite (2016, Zit). Atualmente, mora em São Paulo.

No currículo, acumula o terceiro lugar no Prêmio Jabuti e a comenda de melhor livro para crianças, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), ambos pela obra A Boca da Noite. 

A versão em sueco deste mesmo livro foi ainda recentemente segundo lugar no prêmio Peter Pan, concedido a obras estrangeiras pelo IBBY (Conselho Internacional sobre Livros para Jovens), da Suécia.

Kamuu Dan
Elizabeth Serra (Sec. Geral FNLIJ), Kamuu Dan e Daniel Munduruku.
Fonte: FNLIJ
Natural de Boa Vista, da etnia wapichana, Kamuu Dan, venceu o 14º Concurso FNLIJ/UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, com o conto ‘O sopro da Vida’ e foi segundo colocado na 12ª edição do mesmo prêmio, com a história ‘A árvore dos sonhos’, além de ter o conto ‘Cu Ehntoopuc’ selecionado para publicação na antologia Terra Suspensa: Novo Imaginário do Planalto Central do Brasil, da Editora Nautilus e do site literário Além da Fogueira. Atualmente, Kamuu Dan mora em Brasília.

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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A literatura de Roraima além das fronteiras da língua

Obras literárias de Roraima já ganharam versões em outros idiomas. Vamos falar de duas em especial. Se você souber de outras, cite-as nos comentários.

Os Bravos de Oixi
Gli eroi di Oixi, versão italiana de Os Bravos de Oixi: Índios em Luta pela Vida (Vozes, 1994), foi publicado em 1995. José Vilela assina a obra com o pseudônimo Vilela Montanha. 

Baseado em fatos reais, o livro conta a trágica história de uma comunidade dizimada pela ação violenta de não indígenas.

Entre outros livros, Vilela é autor também de Rapadura é Doce, Mas Não é Mole.

A Boca da Noite
De autoria de Cristino Wapichana, o livro literário mais premiado da história de Roraima foi traduzido para sueco e dinamarquês.

Com o título Nattens Mun, a versão em sueco de A Boca da Noite é a única obra brasileira entre os dez finalistas de 2017 do prêmio Peter Pan, concedido pelo IBBY (Conselho Internacional sobre Livros para Jovens), da Suécia, a um livro infantil ou juvenil de autor estrangeiro.


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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A diáspora da literatura de Roraima

Hoje eles vivem em outros pedaços de chão, mas levam na sua produção literária o gene de quem por anos tocou com os próprios pés a Terra de Makunaima.

Conheça alguns poetas, escritores e ilustradores cujo talento orgulha Roraima, mesmo à distância.

Lívia Milanez


Piauiense de nascença e roraimense de criação, recebeu prêmios literários já na adolescência: em concursos de contos contados da então Escola Técnica Federal de Roraima (hoje IFRR) e do Governo do Estado. Aos 14 anos, ficou em 2º lugar nacional no Concurso Literário “Escreva uma Carta a Caminha”, do Jornal do Commercio, de Pernambuco.


Autora do canal A Grande Desova e homenageada em 2015 pelo trabalho com o blog Resenhas do Prêmio Sesc de Literatura, lançou recentemente, com outros autores, em Brasília, onde mora e trabalha como analista de Relações Internacionais, o livro ‘Novena Para Pecar em Paz’ (2017, Penalux), com o conto ‘Um Caule de Mogno’.
Francisco Alves

Maranhense de nascença e roraimense desde criança, Francisco Alves ganhou prêmio literário nacional ainda jovem (classificou-se entre os três melhores do Concurso Nacional de Poesia, edição Cruz e Souza, em 2004), além de ficar em 1º lugar no Concurso de Poesia (Conpoesi), do Sesi-RR.


Ainda em Roraima, publicou o livro Poemas a Meia Carne (2008) e recentemente, morando em Brasília, onde faz Doutorado em Literatura, lançou Poemas Urbanóides (2017, Letras e Versos) e Ruídos Noturnos & Poemas do Esquecimento Vivo (2017, Letras e Versos).


Cristino Wapichana

Músico, cineasta e escritor, Cristino Wapichana representou Roraima em 2006 no Festival de Música Cidade Canção (Femucic), em Maringá (PR). Natural de Boa Vista, Cristino já morou no Rio de Janeiro e atualmente vive em São Paulo.

Venceu em 2007 o 4° Concurso FNLIJ/UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas e recebeu menção honrosa em 2014. Neste mesmo ano, foi agraciado com a Medalha da Paz, do Movimento União Cultural, que em 2015, também lhe concedeu o Prêmio Litteratudo Monteiro Lobato. Em 2008 e 2014, foi indicado ao Prêmio da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República.

Publicou os livros: A Onça e o Fogo (2009, Manole), Sapatos Trocados (2014, Paulinas), A Oncinha Lili (2014, Edebe) e A Boca da Noite (2016, Zit).

Sapatos Trocados recebeu em 2015 o selo altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em 2017, a mesma entidade premiou também a obra A Boca da Noite, como melhor livro para crianças. No mesmo ano, esta publicação ficou ainda em terceiro lugar na categoria melhor livro infantil do 59ª Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil. Além disso tudo, recentemente Cristino Wapichana foi o único brasileiro entre os dez melhores livros infantis de 2017 do prêmio Peter Pan, da Suécia, com A Boca da Noite. Além do idioma sueco, esta obra também ganhou versões em dinamarquês.


Ina Carolina

Nascida em Boa Vista, atualmente vive em São Paulo. É escritora e ilustradora. Em 2015, lançou o quadrinho independente Apneia.

Junto com outros autores, Ina ganhou em 2017 o Prêmio Jabuti, na categoria Infantil Digital, com o livro Kidsbook Itaú Criança (2016, Agência África). Na obra, ela fez ilustrações para a história O Cabelo da Menina, escrita por Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu. O livro também tem como autores: Marcelo Rubens Paiva e Alexandre Rampazo, Luis Fernando Verissimo e Willian Santiago, Adriana Carranca e Brunna Mancuso, Antonio Prata e Caio Bucaretchi.


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