Mostrando postagens com marcador Kamuu Wapichana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kamuu Wapichana. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A literatura de Roraima tá bem na fita!

Cristino Wapichana e Ina Carolina, no 59º Prêmio Jabuti
Crédito: acervo Jaime Brasil Filho
Né nada, não! Mas a literatura de Roraima vive seu melhor momento, recheado de prêmios nacionais e internacionais. Só pra citar alguns: pela primeira vez, ganhamos o Prêmio Jabuti, o mais mais da literatura brasileira.

E foi vitória em dose dupla: em 2017, Roraima levou o Jabuti na categoria Infantil, com o livro A Boca da Noite, de Cristino Wapichana, e na categoria Infantil Digital, com o livro coletivo Kidsbook Itaú Criança, que teve ilustrações de Ina Carolina. 

Revelado em 2007 no 4º Concurso FNLIJ Tamoios, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Cristino Wapichana bombou também em 2017 no Peter Pan e na categoria melhor livro para crianças da FNLIJ, ambos com A Boca da Noite. Recentemente, o escritor wapichana Kamuu Dan também foi destaque do Concurso Tamoios por duas vezes. 

Além disso, Roraima tem pelo menos dois livros publicados em outras línguas: A Boca da Noite ganhou versão em Sueco e Dinamarquês; e Os Bravos de Oixi, de José Vilela, já havia sido publicado em Italiano em 1995. 

Aliás, nunca tivemos tantos livros publicados: em formato digital (ebook) e impresso, de forma independente, por editoras tradicionais ou via editais de cultura nacionais, tais como os livros Sem Grandes Delongas, de Edgar Borges, e Terreiro de Makunaima, de Jaider Esbell, publicados com recursos do programa Bolsas de Fomento à Literatura, e Sons, Imagens e Gestos, de Ernandes Dantas, publicado pelo Edital Microprojetos Mais Cultura na Amazônia Legal. 

Devair Fiorotti e seu livro de poemas Urihi
Nos últimos anos, as instituições públicas de ensino superior de Roraima (UFRR, UERR, IFRR) têm inserido obras locais no conteúdo programático para o vestibular: A Mulher do Garimpo, de Nenê Macaggi, O Guru da Floresta, de José Vilela, Meia Pata, de Ricardo Dantas, Amor para Quem Odeia, de Eli Macuxi, Conversando com Guillermo e O Homem de Barlovento, de Bruno Garmatz, e Urihi: Nossa Terra, Nossa Floresta, de Devair Fiorotti.

Para finalizar, nossas esperanças estão na pós-graduação das universidades de Roraima. A Especialização em Língua Portuguesa e Literatura da Universidade Estadual produziu pesquisas sobre cerca de 20 escritores locais. A expectativa é que esse trabalho seja até o fim de 2018 transformado em material técnico para ser utilizado nas escolas de Ensino Fundamental e Médio de Roraima em estudos das questões culturais regionais. Além disso, o Mestrado em Letras da Universidade Federal tem entre as dissertações já produzidas pesquisas sobre literatura local. 

Fala a verdade: não é pra ficar confiante?

Leia também
Livro de Cristino Wapichana é finalista de prêmio na Suécia
Pela primeira vez, Roraima é finalista do mais importante prêmio da literatura brasileira
Literatura de Roraima é destaque em mapeamento da produção independente brasileira
E-book: a literatura de Roraima na era digital
Literatura indígena de Roraima
Roraima deve publicar cinco livros inéditos, via edital público
Livros de Roraima em vestibulares
O capital literário de Roraima para além da capital
A literatura de Roraima além das fronteiras da língua
Literatura para crianças em Roraima
A diáspora da literatura de Roraima
Sessões coletivas de autógrafos de escritores roraimenses no II Sesc Literatura em Cena

quinta-feira, 22 de março de 2018

Literatura indígena de Roraima


Depois de, por séculos, se verem retratados em narrativas de terceiros, eles resolveram escrever a própria história. Sem abandonar a tradição oral, apropriaram-se da escrita. Hoje, é possível falar em literatura indígena. Em Roraima, temos alguns bons exemplos desse fenômeno.

Jaider Esbell
Jaider Esbell ilustrou o livro Uhiri (2017), de Devair Fiorotti
Artista visual e escritor, da etnia macuxi, nasceu em Normandia e viveu até aos 18 anos onde hoje é a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol. 

É autor dos livros: Terreiro de Makunaima – mitos , lendas e estórias em vivências (2012) e Tardes de Agosto, Manhãs de Setembro, Noites de Outubro (2013).

O livro  ‘Terreiro de Makunaima’ foi publicado por meio do edital Bolsa Funarte de Criação Literária 2010. Além disso, Jaider Esbell teve projeto aprovado na Lei Rouanet.

Cristino Wapichana
O escritor mais premiado da história de Roraima é da etnia wapichana. Nascido em Boa Vista, Cristino Wapichana é autor das obras infantojuvenis: A Onça e o Fogo (2009, Manole), Sapatos Trocados (2014, Paulinas), A Oncinha Lili (2014, Edebe) e A Boca da Noite (2016, Zit). Atualmente, mora em São Paulo.

No currículo, acumula o terceiro lugar no Prêmio Jabuti e a comenda de melhor livro para crianças, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), ambos pela obra A Boca da Noite. 

A versão em sueco deste mesmo livro foi ainda recentemente segundo lugar no prêmio Peter Pan, concedido a obras estrangeiras pelo IBBY (Conselho Internacional sobre Livros para Jovens), da Suécia.

Kamuu Dan
Elizabeth Serra (Sec. Geral FNLIJ), Kamuu Dan e Daniel Munduruku.
Fonte: FNLIJ
Natural de Boa Vista, da etnia wapichana, Kamuu Dan, venceu o 14º Concurso FNLIJ/UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, com o conto ‘O sopro da Vida’ e foi segundo colocado na 12ª edição do mesmo prêmio, com a história ‘A árvore dos sonhos’, além de ter o conto ‘Cu Ehntoopuc’ selecionado para publicação na antologia Terra Suspensa: Novo Imaginário do Planalto Central do Brasil, da Editora Nautilus e do site literário Além da Fogueira. Atualmente, Kamuu Dan mora em Brasília.

Leia também: