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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Índios em luta pela vida (José Vilela)

VILELA, José. Índios em luta pela vida. Lisboa: Chiado Books, 2018.



Sinopse 
Romance que traz à tona a perpetuação dos crimes cometidos contra as populações indígenas, ocorridos na masmorra da opressão fabricada pelos não índios, durante os últimos 500 anos da invasão da terra do pau brasil.

Informações complementares 
Versão do livro Xununu Tamu: uma saga indígena, voltada aos estudantes do Ensino Fundamental e Médio. Baseado em uma história real.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O profeta da irreverência (José Vilela)

VILELA, José. O profeta da irreverência. Boa Vista: edição do autor, 2017.



Sinopse 
Em 'O profeta da irreverência', você vai entrar em contato com um primata revoltado com a cegueira de seus patrícios, que vivem patinando na miséria e acham que tem a proteção do Barba Branca. Solidário, nosso herói lamenta que a nação tupiniquim esteja povoada de "analfaburros", que são os analfabetos políticos e os analfabrutos religiosos manipulados pela "Máfia da Alma" 

Informações complementares 
Terceiro livro da saga do Macaco Pancoso.

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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Os bravos de Oixi: índios em luta pela vida (José Vilela)

MONTANHA, Vilela. Os bravos de Oixi: índios em luta pela vida. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.


Sinopse 
Os índios estavam derrotados pelo medo e divididos pela opressão. A desesperança marginalizava-os. E os transformava num bando de bêbados sem lar e sem paz. Eles viviam acossados dia e noite pelos jagunços... Eles estavam perdidos, sem direção, apáticos. Massacrados. Humilhados. Crucificados. Banidos. Entretanto, embora divididos, a maioria continuava resistindo, lutando pela permanência na terra de seus avós, na terra em que nasceram. E cresceram. E casaram. E tiveram filhos.

Informações complementares 
Baseado em histórias reais. José Vilela publicou o livro com o pseudônimo Vilela Montanha. Esta obra teve uma versão em italiano: Gli eroi di Oixi (1995).

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terça-feira, 23 de julho de 2019

Macaco velho não pula em galho seco (José Vilela)

VILELA, José. Macaco velho não pula em galho seco. Cuiabá: edição do autor, 1999.


Sinopse 
Fábula que conta a história de um macaco esperto, que disputa o amor da sua vida com uma Onça Macho.

Ilustração
Fernando Ordakowski

Informações complementares 
Livro publicado com recursos do Governo de Mato grosso, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. A história é inspirada em um conto indígena de Roraima. 

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terça-feira, 11 de junho de 2019

A chave do impossível (José Vilela)

VILELA, José. A chave do impossível. Cuiabá: edição do autor, 1998.



Sinopse 
Quem leu Eu Sou sou MM já conheceu Meu Mestre. Pois saiba que ele abandonou sua vida de ermitão no Crocotó do Cedro, onde vivia em harmonia com florestas, morrarias e bichos e veio morar na Cidade Grande entre redação de jornais, políticos manhosos, poluição, doenças psicossomáticas, salário atrasado, ônibus lotado e, graças a Deus, muito livros e arautos da Nova Era. Para participar desta aventura transcendental em meio ao caos, você vai ter que ler A Chave do Impossível. E a partir de então seu Eu Sou nunca mais será o mesmo e, quem sabe, você renascerá para viver seu grande Sonho às margens do rio Cuia Quebrada.

Ilustração
Danniel Vilela

Informações complementares 
Livro publicado com recursos do Governo de Mato grosso, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Continuação do livro Eu sou MM.

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terça-feira, 30 de abril de 2019

O guru da floresta (José Vilela)

VILELA, José. O guru da floresta. Cuiabá: Entrelinhas, 2013.



Sinopse 
História do irreverente Macaco Pancoso, um guariba-vermelho que nasceu e se criou na mata fechada, no tempo em que os bichos falavam. Metido a ecologista, ele se intitulava defensor implacável dos Direitos dos Animais e armou briga com meio mundo para cumprir sua missão. Nessa época, o País da Mamata vivia sob regime da Monarquia das Bananas e chorou o sumiço de bilhões de moedas de ouro pelo ralo da corrupção, enquanto faltava comida, teto e segurança para os tupiniquins. 

Informações complementares 
Segundo livro da saga do Macaco Pancoso. Trata-se de uma versão alternativa para a história contada no livro Macaco velho não pula em galho seco, do mesmo autor. Em O guru da floresta, o "fantasma" de Macaco Pancoso volta para exigir que o autor escreva a versão do guariba-vermelho. A obra foi referência no Vestibular UFRR 2016.

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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Moama (José Vilela)

VILELA, José. Moama. Boa Vista: edição do autor, 2018.


Sinopse 
O livro conta a saga de ternura e paixão em que três jovens indígenas disputam o amor de Moama.  

Informações complementares 
A história é inspirada em um conto indígena.

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

A literatura de Roraima tá bem na fita!

Cristino Wapichana e Ina Carolina, no 59º Prêmio Jabuti
Crédito: acervo Jaime Brasil Filho
Né nada, não! Mas a literatura de Roraima vive seu melhor momento, recheado de prêmios nacionais e internacionais. Só pra citar alguns: pela primeira vez, ganhamos o Prêmio Jabuti, o mais mais da literatura brasileira.

E foi vitória em dose dupla: em 2017, Roraima levou o Jabuti na categoria Infantil, com o livro A Boca da Noite, de Cristino Wapichana, e na categoria Infantil Digital, com o livro coletivo Kidsbook Itaú Criança, que teve ilustrações de Ina Carolina. 

Revelado em 2007 no 4º Concurso FNLIJ Tamoios, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Cristino Wapichana bombou também em 2017 no Peter Pan e na categoria melhor livro para crianças da FNLIJ, ambos com A Boca da Noite. Recentemente, o escritor wapichana Kamuu Dan também foi destaque do Concurso Tamoios por duas vezes. 

Além disso, Roraima tem pelo menos dois livros publicados em outras línguas: A Boca da Noite ganhou versão em Sueco e Dinamarquês; e Os Bravos de Oixi, de José Vilela, já havia sido publicado em Italiano em 1995. 

Aliás, nunca tivemos tantos livros publicados: em formato digital (ebook) e impresso, de forma independente, por editoras tradicionais ou via editais de cultura nacionais, tais como os livros Sem Grandes Delongas, de Edgar Borges, e Terreiro de Makunaima, de Jaider Esbell, publicados com recursos do programa Bolsas de Fomento à Literatura, e Sons, Imagens e Gestos, de Ernandes Dantas, publicado pelo Edital Microprojetos Mais Cultura na Amazônia Legal. 

Devair Fiorotti e seu livro de poemas Urihi
Nos últimos anos, as instituições públicas de ensino superior de Roraima (UFRR, UERR, IFRR) têm inserido obras locais no conteúdo programático para o vestibular: A Mulher do Garimpo, de Nenê Macaggi, O Guru da Floresta, de José Vilela, Meia Pata, de Ricardo Dantas, Amor para Quem Odeia, de Eli Macuxi, Conversando com Guillermo e O Homem de Barlovento, de Bruno Garmatz, e Urihi: Nossa Terra, Nossa Floresta, de Devair Fiorotti.

Para finalizar, nossas esperanças estão na pós-graduação das universidades de Roraima. A Especialização em Língua Portuguesa e Literatura da Universidade Estadual produziu pesquisas sobre cerca de 20 escritores locais. A expectativa é que esse trabalho seja até o fim de 2018 transformado em material técnico para ser utilizado nas escolas de Ensino Fundamental e Médio de Roraima em estudos das questões culturais regionais. Além disso, o Mestrado em Letras da Universidade Federal tem entre as dissertações já produzidas pesquisas sobre literatura local. 

Fala a verdade: não é pra ficar confiante?

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terça-feira, 15 de maio de 2018

A onça na literatura de Roraima


Situada no topo da cadeia alimentar, a onça-pintada é personagem importante de muitas histórias criadas em Roraima, publicadas ou não.

Conheça algumas obras literárias com aparições desse felino, em maior ou menor grau, e saiba como ele foi retratado em cada um desses livros.

A Onça e o Fogo (Cristino Wapichana)
Em A Onça e o Fogo (2009), história baseada em uma lenda indígena, a onça é uma espécie de anti-heroína. Ou seja, seus defeitos são mais acentuados que suas qualidades, sem que isso a torne vilã da narrativa. Prepotente, arrogante e egocêntrica, desafia o fogo, na certeza de que ela é mais forte.

O Guru da Floresta (José Vilela)
Em O Guru da Floresta (2013), a onça macho é a vilã, que rivaliza com o protagonista, um guariba-vermelho. Não satisfeito com apenas uma noiva, o felino quer também a irmã dela, noiva do guariba Macaco Pancoso. E, para isso, a onça macho está disposta a qualquer armação.

Meia Pata (Ricardo Dantas)
Em Meia Pata (2013), a onça-pintada não chega a ser vilã, mas é oponente do protagonista, um pesquisador da biodiversidade amazônica. Ela representa as forças da natureza que o homem deve enfrentar, para alcançar seus objetivos.

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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Livros de Roraima em vestibulares


Ao lado de clássicos da literatura nacional, livros de Roraima já foram referência em vestibulares. Segundo a Comissão Permanente de Vestibular (CPV) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), de 2014 até hoje, quatro obras entraram para a lista.

Confira!

A Mulher do Garimpo (Nenê Macaggi)

Até agora, A Mulher do Garimpo (1976), de Nenê Macaggi, foi referência em vestibulares UFRR de 2014 a 2015. 


Publicado originalmente na década de 70, pela Imprensa Oficial do Amazonas, e relançado em 2012, em Boa Vista, o romance A mulher do Garimpo é considerado o marco inicial da produção literária em Roraima. A obra descreve as dificuldades da vida dos garimpeiros, discute a demarcação dos territórios, aponta problemas decorrentes da migração e questões indígenas. Aborda ainda a situação das viúvas do garimpo, a prostituição alastrada, como único meio de sobrevivência, e a morte precoce dos filhos. 


Amor para quem odeia (Eli Macuxi)


Lançado em 2013, o livro reúne poemas sobre o amor, anteriormente publicados no blog elimacuxi, poesia pura.


Foi referência nas edições de 2017 e 2018 do vestibular.



Meia Pata (Ricardo Dantas)

Também lançado em 2013, junto com Amor para quem odeia, de Eli Macuxi, foi referência nos vestibulares UFRR 2017 e 2018.

Na história, no final da década de 80, o biólogo Daniel Silva viaja para estudar a maior diversidade ecológica do planeta. Com uma equipe de trabalhadores formada com mão de obra local, embrenha-se na mata fechada, traiçoeira e perigosa, e é submetido a todo tipo de situação: de um romance inusitado e místico com uma linda indígena Macuxi a um embate por território e respeito com a maior predadora da floresta, a onça-pintada. 


O Guru da Floresta (José Vilela)

O Guru da Floresta, de José Vilela, também foi lançado em 2013 e foi referência nos vestibulares UFRR 2015 e 2016.

O romance conta a história do irreverente Macaco Pancoso, um guariba-vermelho que nasceu e se criou na mata fechada, no tempo em que os bichos falavam. 

Metido a ecologista, ele se intitulava defensor implacável dos Direitos dos Animais e arrumou briga com meio mundo para cumprir sua missão.


E você já leu algum desses livros? O que achou? Comente aí!


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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A literatura de Roraima além das fronteiras da língua

Obras literárias de Roraima já ganharam versões em outros idiomas. Vamos falar de duas em especial. Se você souber de outras, cite-as nos comentários.

Os Bravos de Oixi
Gli eroi di Oixi, versão italiana de Os Bravos de Oixi: Índios em Luta pela Vida (Vozes, 1994), foi publicado em 1995. José Vilela assina a obra com o pseudônimo Vilela Montanha. 

Baseado em fatos reais, o livro conta a trágica história de uma comunidade dizimada pela ação violenta de não indígenas.

Entre outros livros, Vilela é autor também de Rapadura é Doce, Mas Não é Mole.

A Boca da Noite
De autoria de Cristino Wapichana, o livro literário mais premiado da história de Roraima foi traduzido para sueco e dinamarquês.

Com o título Nattens Mun, a versão em sueco de A Boca da Noite é a única obra brasileira entre os dez finalistas de 2017 do prêmio Peter Pan, concedido pelo IBBY (Conselho Internacional sobre Livros para Jovens), da Suécia, a um livro infantil ou juvenil de autor estrangeiro.


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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Resenha: Rapadura é doce, mas não é mole (José Vilela)

Para inaugurar minha coluna de resenhas literárias (ou seja lá o que o for isso que farei daqui pra frente!), tchan tchanranran...: ‘Rapadura é doce, mas não é mole’, de José Vilela!

A obra infantojuvenil foi publicada pela primeira vez em Mato Grosso, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, em 1999. Esta resenha foi escrita com base na segunda edição do livro, que já está na terceira edição.



‘Rapadura...” é uma fábula que conta a história do Tamanduá-Bandeira e seus quatro genros: o Martim-Pescador, o Jacaré, o Carrapato e o Pica-Pau.

Uma história tão brasileira, escrita por um mato-grossense morador de Roraima, com um título/ditado popular que é a cara do nordeste, ambientada entre dois rios do Centro-Oeste, e com animais, inclusive o protagonista (Tamanduá-Bandeira), que são bem familiares para muitos de nós amazônidas.

Antes de começar a história, o escritor já nos ganha. Em ‘Palavras do Autor’, narra um fato que teria ocorrido com sua irmã: ao ser assaltada na rua, instintivamente, ela teria usado a bolsa como arma contra o ladrão de galinha, que desabou ‘de cata-cavaco no chão’. E o que tem isso? Dentro da bolsa, havia uma rapadura. Aliás, como diz Vilela, ‘Santa Rapadura’. Salvou mais uma vida! E o assaltante, se não sabia, aprendeu, da forma mais dolorosa possível, o porquê do ditado ‘rapadura é doce, mas não é mole’.

Vilela, a quem ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, faz parecer fácil o exercício da escrita. Sua narrativa é fluida, como quem, com causos e mais causos antigos, impressiona os netos, sentados em roda, ao pôr do sol, na frente de casa. É como se ao ler, ouvíssemos a voz do narrador.

Jornalista que se fez escritor, de forma nem tão esporádica como o autor humildemente refere a si mesmo no livro, em ‘Rapadura...”, José Vilela metamorfoseia-se, diante do leitor, naquele avô que conta cada história do tempo em que os animais falavam e que deixa a meninada de olhos arregalados e ouvidos atentos para não perder nenhuma aventura de bichos que mais parecem gente.

Aliás, esse é um dos pontos altos do livro: o poder de construir os personagens (animais) demasiadamente humanos, com sentimentos, fraquezas, humor. É verdade que a figura de linguagem prosopopeia (ou personificação) é predominante em qualquer fábula, mas, em ‘Rapadura...”, Vilela passou da conta, está de parabéns, matou a pau, ou seja lá qual expressão você usa para dizer que alguém foi além da média.

Vamos à história: o Tamanduá-Bandeira quer medir força com seus genros e, a cada capítulo, se dá mal tentando repetir o feito de cada um deles: na pescaria, na preparação da fogueira, em descer de árvores e na colheita de mel.

Como toda fábula, no fim, o leitor é apresentado à moral da história (ainda que não esteja grafada no livro a expressão ‘moral história’) que você terá que ler para saber qual é (não serei inconveniente a dar spoilers aqui!).


Espero que se aventure em ‘Rapadura é doce, mas não é mole’ e, quem sabe, assim como eu, ficará louco de vontade de ler ‘O Guru da Floresta’, publicação mais recente do autor.

VILELA, José. Rapadura é doce, mas não é mole. 2. ed. Boa Vista: José Vilela de Moraes, 2016.


Ah, escritor(a), se você tem interesse em ter sua obra resenhada pelo blog, entre em contato