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quinta-feira, 26 de março de 2020

Panton Pia': a história do Makunaima (Clemente Flores; Devair Fiorotti)

FLORES, Clemente. FIOROTTI, Devair. Panton Pia': a história do MakunaimaBoa Vista: Wei, 2019.


Sinopse 
Histórias de Makunaima. 

Ilustração
Mário Flores

Informações complementares 
Livre bilíngue: Português e Taurepang.

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quinta-feira, 19 de março de 2020

Morî panton: belas histórias (Julieta Souza Silva, Org.)

SILVA, Julieta Souza (Org.). Morî Panton. [s.l.]: [s.n.], [s/d.].


Sinopse 
Narrativas do povo Makuxi. 

Ilustração
Crianças macuxi alunas da escola Fernão Dias, da aldeia do Contão.

Informações complementares 
Narradores/informantes: Baltazr Pereira, Alberto da Silva Ramos (aldeia do Contão), Avelino de Oliveira (Serra do Machado), Valdeval (aldeia Canta Galo), Mauro (aldeia Xumina).

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Terreiro de Makunaima (Jaider Esbell)

ESBELL, Jaider. Terreiro de Makunaima – mitos , lendas e estórias em vivências. Belém: Cromos, 2012.


Sinopse 
Coletânea de dez contos que abordam os costumes, lendas, histórias e vivências da etnia Makuxi.

Informações complementares 
Livro publicado com recursos da Bolsa Funarte de Criação Literária 2010.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A cor do dinheiro da vovó (Cristino Wapichana)

WAPICHANA, Cristino. A cor do dinheiro da vovó. Brasília: Edebê Brasil, 2019.



Sinopse 
Vovó tinha um jeito encantador de contar o mundo. Não sabia calcular como os estrangeiros ensinavam, mas sempre narrava como ninguém histórias magistrais sobre o povo Wapichana. A tarde mais especial que o neto Pimyd teve em sua companhia foi quando ela falou sobre o significado da cor de cada cédula de dinheiro. Uma história instigante!

Ilustração
Alyne Dallacqua

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Livro de Cristino Wapichana é finalista de prêmio na Suécia
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Ceuci, a mãe do pranto (Cristino Wapichana)

WAPICHANA, Cristino. Ceuci, a mãe do pranto. Itapira, SP: Estrela Cultural, 2019.



Sinopse 
Ceuci, a mãe do pranto é uma história do povo Anambé, natural do norte do Pará, narrada agora pelo escritor Cristino Wapichana. Nela, um curumim (menino, na língua tupi) sai para pescar na floresta, contrariando os conselhos de sua mãe, que o alertou sobre Ceuci, um ser da floresta que comia tudo o que via pela frente. Até gente! Mal sua jornada começou e o pequeno curumim avistou Ceuci sobre uma canoa, e não tardou para ela notar a presença do indiozinho. A partir daí, a história ganha um grande suspense, com a perseguição de Ceuci atrás do esperto curumim. Essa aventura na floresta é cheia de armadilhas que levarão nosso personagem a muitas descobertas com um final inesperado e emocionante!

Ilustração
Jô Oliveira

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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Resenha: A cor do dinheiro da vovó, de Cristino Wapichana

Educação financeira a partir da visão de uma anciã indígena analfabeta. A proposta do livro infantojuvenil ‘A cor do dinheiro da vovó’, de Cristino Wapichana, gera, ao mesmo tempo, estranheza e curiosidade. E surpreende: para mim, é o melhor texto do autor publicado até o momento. 

‘A cor do dinheiro da vovó’ vai além de seu objetivo didático. Aliás, quase toda a obra nos faz esquecer tal pretenso didatismo. De suas páginas emanam poesia, como “mãos delicadas, que mais pareciam um par de asas de passarinho guardando um sorriso amável”. 

E também a escolha por retratar o povo wapichana no contexto urbano é um diferencial, em um cenário com predominância de livros, escritos por autores indígenas ou não, com personagens indígenas sem contato com os karaiowá (estrangeiros, não indígenas). E, assim, em ‘A cor do dinheiro da vovó’, vemos os wapichana em um mundo onde há escolas, cercas, igrejas, comércio, banco, dinheiro. Eles aparecem como estudantes, aposentados, servidores públicos, educadores, agentes de saúde, etc. Esse foi o aspecto da obra que mais me cativou.

Pode-se questionar, e confesso que discretamente senti algo me apertar o peito: como trabalhar educação financeira a partir da visão indígena, se foi a ganância pelo dinheiro que levou os colonizadores a violentarem e dizimarem os povos originários? 

Bem, ainda que não seja o foco, a ferida aberta por esse contato forçado e truculento pode ser encontrada no livro: “Os estrangeiros dominaram nosso povo, apossaram-se de nossas terras e nos obrigaram a servi-los. Carregamos as marcas e o peso dessa guerra até hoje em nossa cultura”. 

Mas a escolha de Cristino Wapichana é outra: pela voz da avó de Pymid, o leitor viaja pelas diferentes versões que as cédulas e moedas brasileiras tiveram ao longo da história.

As ilustrações de Alyne Dallacqua também são incríveis. Os traços físicos dos personagens wapichana, bem como a pintura corporal, a iconografia e as indumentárias típicas retratadas, são tão convincentes que fizeram eu me sentir em casa. Provavelmente resultam de uma competente pesquisa de imagens.

Por fim, com ‘A cor do dinheiro da vovó’, pode-se (re)aprender que há muitas formas de saber e todas elas devem ser valorizadas. Afinal, quem não se encantaria ao, debaixo de uma árvore, ver o jeito mágico de contar o mundo daquela que não sabia calcular como os estrangeiros ensinavam, mas sempre narrava como ninguém histórias magistrais de seu povo?

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Inia: uma aventura amazônica (Marcela Marques Monteiro)

MONTEIRO, Marcela Marques. Inia: uma aventura amazônicaBarueri, SP: Novo Século, 2013.



Sinopse 
Inia é uma tímida jovem de Sarasota-Flórida, que vive sua vida pacata até conhecer a brasileira Lena e seus amigos, que planejam escalar o Monte Roraima. Ela decide unir-se ao grupo nesta aventura e viaja para o Brasil. À medida que a escalada ao monte se inicia, ela começa a ter uma série de sonhos sobre um misterioso lago, onde se torna amiga de um lindo boto cor-de-rosa e de pessoas que fazem parte das histórias e lendas contadas pelos integrantes do grupo. A jovem turista americana também conhece um guia enigmático que lhe provoca sensações estranhas: André, de pele rosada e sorriso fácil, possui um encanto que atrai todas as mulheres ao seu redor. Envolta nesse mundo exótico de lavrados e montanhas tão antigas quanto a própria Terra, ela mergulha no mundo fantástico dos mitos e lendas amazônicas.

Informações complementares 
Primeiro romance fantástico da autora.

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Conquis7as (Tanner Menezes)
Meia Pata (Ricardo Dantas)
O Homem de Barlovento (Bruno Garmatz)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Cruviana (Cecy Lya Brasil)

BRASIL, Cecy Lya. Cruviana. Rio de Janeiro: FAE; Governo do Território Federal de Roraima; 1987.



Sinopse 
História infantojuvenil inspirada no mito da Cruviana. 

Ilustração
Augusto Cardoso

Informações complementares 
Compõe a coleção Ajuri.

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Macunaima (Cecy Lya Brasil)
O ajuri (Cecy Lya Brasil)
Canaimé (Cecy Lya Brasil)

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Canaimé (Cecy Lya Brasil)

BRASIL, Cecy Lya. Canaimé. Rio de Janeiro: FAE; Governo do Território Federal de Roraima; 1987.



Sinopse 
História infantojuvenil inspirada no mito do Canaimé. 

Ilustração
Augusto Cardoso

Informações complementares 
Compõe a coleção Ajuri.

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Pedra Pintada (Cecy Lya Brasil)
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O ajuri (Cecy Brasil)

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O ajuri (Cecy Lya Brasil)

BRASIL, Cecy Lya. O ajuri. Rio de Janeiro: FAE; Governo do Território Federal de Roraima; 1987.



Sinopse 
História infantojuvenil inspirada no costume indígena do ajuri, trabalho em mutirão. 

Ilustração
Augusto Cardoso

Informações complementares 
Compõe a coleção Ajuri.

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Pedra Pintada (Cecy Lya Brasil)
Macunaima (Cecy Lya Brasil)

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Macunaima (Cecy Lya Brasil)

BRASIL, Cecy Lya. Macunaima. Rio de Janeiro: FAE; Governo do Território Federal de Roraima; 1987.



Sinopse 
História infantojuvenil inspirada no mito de Makunaima. 

Ilustração
Augusto Cardoso

Informações complementares 
Compõe a coleção Ajuri.

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Literatura para crianças em Roraima
Pedra Pintada (Cecy Lya Brasil)

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Pedra Pintada (Cecy Lya Brasil)

BRASIL, Cecy Lya. Pedra Pintada. Rio de Janeiro: FAE; Governo do Território Federal de Roraima; 1987.


Sinopse 
História infantojuvenil inspirada na lenda da Pedra Pintada. 

Ilustração
Augusto Cardoso

Informações complementares 
Compõe a coleção Ajuri.

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terça-feira, 23 de julho de 2019

Macaco velho não pula em galho seco (José Vilela)

VILELA, José. Macaco velho não pula em galho seco. Cuiabá: edição do autor, 1999.


Sinopse 
Fábula que conta a história de um macaco esperto, que disputa o amor da sua vida com uma Onça Macho.

Ilustração
Fernando Ordakowski

Informações complementares 
Livro publicado com recursos do Governo de Mato grosso, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. A história é inspirada em um conto indígena de Roraima. 

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

A onça e o fogo (Cristino Wapichana)

WAPICHANA, Cristino. A onça e o fogo. Barueri, SP: Amarilys, 2009.


Sinopse 
Este livro resgata uma lenda indígena que narra o resultado do duelo travado entre a onça e o fogo, em um tempo fantástico cheio de perigos e aventuras.

Ilustração
Helton Faustino

Informações complementares 
A história foi vencedora do 4° concurso Tamoios de Literatura pela FNLIJ 2007.

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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Ua:Brari e o outro lado do mundo de Marcelo Rubens Paiva


O romance Ua:Brari: do outro lado do mundo, de Marcelo Rubens Paiva, me conquistou logo nos agradecimentos, quando cita importantes nomes para Roraima, meu Estado natal. Ali, o autor reverencia grandes defensores da causa indígena, muitos que admiro de longe ou tive a felicidade de conhecer de perto, entre os quais: Davi Kopenawa, Carlos Zaquini, Claudia Andujar, Edson Soares Diniz.

Publicado em 1990, após uma decisiva conversa de bar entre o escritor e lideranças indígenas brasileiras em Belém, Ua:Brari tem como título um personagem da narrativa mítica makuxi, que descobriu um caminho por baixo da terra para chegar ao outro lado do mundo. Marcelo Rubens Paiva usa essa figura para criar a história do filho de um grande empresário paulista que se torna uma espécie de líder messiânico em Roraima, alguém que encontrou o caminho para o outro mundo, segundo a crença de sua multidão de seguidores.

Autor de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva, em Ua:Brari, lapida com maestria um narrador-personagem que, de tão humano, nos faz não querer abandonar a leitura, mesmo em grandes porções de páginas em que nada de mais acontece. Segundo o próprio autor, há amigos que consideram este seu melhor livro.

Ainda que, em muitos momentos, eu tenha ficado em dúvida se a história tem imprecisões geográficas ou apenas escancarou meu desconhecimento sobre algumas regiões do meu próprio Estado, achei importante ver Roraima como cenário de histórias ficcionais dessa magnitude, que mostram uma Amazônia urbana e suas complexas questões ainda atualíssimas, tais como mineração, conservação ambiental, soberania nacional, etc.

Vá lá que estranhei alguns rumos que a história tomou, o que é muito comum! No fim das contas, recomendo conhecer esse outro lado do mundo de Marcelo Rubens Paiva.

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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Rapadura é doce, mas não é mole (José Vilela)

VILELA, José. Rapadura é doce, mas não é mole. 2. ed. Boa Vista: edição do autor, 2016.



Sinopse 
História em que o Tamanduá-Bandeira tenta medir força com seus quatro genros (o Martim-Pescador, o Jacaré, o Carrapato e o Pica-Pau), na pescaria, na preparação da fogueira, em descer de árvores e na colheita de mel. 

Ilustração
Julio Cesar Barbosa

Informações complementares 
A primeira edição do livro foi publicada em 1999 com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Governo de Mato Grosso. Por não ter acesso a ela, registrei aqui os dados da segunda edição.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Makuxi Panton: história da raposa, da rolinha e da coruja (Diocese de Roraima)

CENTRO DE INFORMAÇÃO DA DIOCESE DE RORAIMA. Makuxi Panton: história da raposa, da rolinha e da coruja. Boa Vista: Diocese de Roraima, 1991.


Sinopse 
História em que a Raposa tenta comer o filhote da Rolinha e também a Coruja.

Ilustração
Bartô

Informações complementares 
Quarto volume da coleção Makuxi Panton de histórias macuxi. Narradores: Maria Tobias, Marlene e Damião, respectivamente, das 'malocas' do Kurapá, da Raposa e do Cantagalo.

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Macunaíma, de Mário de Andrade X Makunaíma, de Theodor Koch-Grünberg
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Macunaíma, de Mário de Andrade X Makunaíma, de Theodor Koch-Grünberg


Mário de Andrade sempre admitiu que a maior inspiração para Macunaíma, publicado em 1928, foi o mito indígena Makunaíma, com o qual o romancista teve contato por meio do segundo tomo da obra do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg ‘Do Roraima ao Orinoco’, Mitos e lendas dos índios Taulipáng e Arekuna, publicado em alemão em 1924.

Este texto pretende tensionar a construção do personagem Macunaíma, por Mário de Andrade, com o relato de Koch-Grünberg sobre o mito indígena. Não é minha intenção comparar o romance ficcional com a visão atual dos povos indígenas de Roraima sobre Makunaima, que também é compartilhado por outros povos indígenas da região do Monte Roraima (Venezuela e Guiana).
Vamos lá: entendo que, em Macunaíma, Mário de Andrade captou bem a moralidade de Makunaíma, que difere da moralidade cristã ocidental. E aí me parece estar a grande sacada do livro. Macunaíma é o herói sem nenhum caráter, o que não significa que é mau caráter. Portanto, não é vilão. Trata-se de um anti-herói, com seus desvios morais comuns a um ser um humano, em nada parecido com os heróis nobres, altruístas e integralmente virtuosos que a narrativa ocidental perpetuou.

Makunaíma engana a família para ter relações sexuais com a cunhada, passagem também encontrada no livro de Mário de Andrade. Além disso, em Koch-Grünberg, se lê um trecho em que Makunaíma trolla o irmão, dando uma fruta para este comer, após aquele ter passado o fruto no próprio pênis. Uma clássica traquinagem, molecagem, zoeira...

Em contraposição a isso, aponto dois aspectos que me desagradam no Macaunaíma de Mário de Andrade. Primeiro: a hipersexualização do personagem. Segundo: o recorrente ‘ai, que preguiça!’.

Bem, como se pôde ver acima, Makunaíma, em Koch-Grünberg, tem, sim, uma moral sexual, digamos, mais frouxa, se comparada à moral ocidental. No relato do etnólogo alemão, assim como em Mário de Andrade, Macunaíma/Makunaíma não se arrepende ou se sente culpado por cobiçar (e acasalar com) a mulher do próximo. No caso, seu irmão.

Há também outro trecho em Do Roraima ao Orinoco em que Makunaíma e os irmãos são rejeitados por mulher com quem queriam ter relações sexuais e, em razão disso, a castigam, bem como punem o escolhido da moça.

Das 12 histórias de Makunaíma no livro de Koch-Grünberg, essas são as duas únicas que fazem referência ao desejo ou à pratica sexual daquele.

Entretanto, creio que em Mário de Andrade, a libido de Macunaíma foi hiperdimensionada, deixando a impressão de que o personagem a todo tempo pensa e faz ou tenta fazer sexo com toda ou quase toda mulher com quem encontra.

Em contraponto, em Koch-Grünberg, há histórias sem conotação sexual alguma em que Makunaíma interage com mulheres. Em ‘Feitos de Makunaíma’, em Do Roraima ao Orinoco, por exemplo, Makunaíma, transforma homens e mulheres em pedras, sem qualquer referência à pratica sexual.

Outro aspecto em Macunaíma, de Mário de Andrade, o que mais me incomodou, foi a frase ‘ai, que preguiça’, repetida 15 vezes pelo protagonista ao longo do romance. Depois de mais de seis anos, sem falar, o primeiro dito de Macunaíma é: “ai, que preguiça”. Macunaíma tem preguiça de falar, trabalhar e, paradoxalmente, até de “brincar”, ou seja, fazer sexo! Em Koch-Grünberg, não se encontra tal interjeição. Trata-se de criação de Mário de Andrade.

Não creio que este tenha sido o propósito de Mário de Andrade, mas esse aspecto inevitavelmente reforça o estereótipo do índio como preguiçoso por natureza. Entretanto, nas narrativas de Koch-Grünberg e do próprio Mário de Andrade, é possível ver Makunaíma/Macunaíma cortar árvores, pescar, construir casa, caçar e fazer tantas coisas que não condizem com uma pessoa preguiçosa.

Acho que é isso!

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