quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Propostas dos candidatos a governador de Roraima para a literatura, o livro, a leitura e as bibliotecas

Este texto apresenta as propostas dos candidatos a governador de Roraima voltadas ao segmento da literatura, do livro, da leitura e das bibliotecas.
 
As proposições abaixo foram tiradas das propostas de Governo apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR). Nesses documentos oficiais, no item ‘Cultura’, foi realizada busca minuciosa de propostas para o referido segmento. Além disso, foi feita pesquisa em todo o documento pelas palavras ‘literatura’, ‘livro’, ‘leitura’ e ‘biblioteca’.

Também fizemos pesquisa no site oficial dos candidatos.

Desse modo, foram encontradas propostas nos itens ‘Cultura’ e ‘Educação’.

Para ler o post sobre as propostas dos candidatos a governador de Roraima para a cultura, publicado no blog Reagentes Culturais, clique aqui.

Antonio Denarium (PSL)
Vice: Frutuoso Lins (PTC)
Coligação: PSL / PROS / PSC / PTC / PRB / PRP / PATRI / PPL

Em ‘Propostas de Governo’, no site do TRE-RR, no item ‘4CS - ciência, cultura, criatividade e conhecimento’, consta:
  • realização de programas de leitura, pesquisa e incentivo a robótica para avanço no campo da ciência estratégica, ampliado a possibilidade de uma carreira profissional com excelente aproveitamento.


Já no item ‘Educação’, consta a seguinte diretriz:
  • ampliação de escolas, conforme necessidade, dotando-as de novas salas de aula, bibliotecas, laboratórios de ciência e informática, salas de leitura, sala de vídeo, auditório, quadras esportivas e salas específicas para projetos especiais educacionais.


Fábio Almeida (PSOL)
Vice: Érica Marques (PSOL)
Coligação: PSOL / PSTU / PCB

Em ‘Propostas de Governo’, no site do TRE-RR, há menções à cultura, mas não à literatura, à leitura, ao livro e a bibliotecas.

No site do candidato, na seção ‘Cultura’, encontra-se o seguinte:
  • realização do Festival de Poesia e Interpretação do Estado de Roraima;


Confira em: https://fabiororaima.com.br/cultura

Suely Campos (PP)
Vice: Oleno Matos (PCdoB)
Coligação: PP / PODE / PDT / PHS / PR / PRTB / PC do B

Em ‘Propostas de Governo’, no site do TRE-RR, há o item ‘Cultura’, mas nenhuma menção à literatura, à leitura, ao livro e a bibliotecas.

Não foi encontrado site oficial da candidata, onde constem propostas. Somente as redes sociais informados no site do TRE-RR.

Telmário Mota (PTB)
Vice: Evandro Moreira (PTB)
Coligação: PTB / PV / Rede / PT

Em ‘Propostas de Governo’, no site do TRE-RR, há o item ‘Cultura e diversidade’, mas nenhuma menção à literatura, à leitura, ao livro e a bibliotecas.

Não foi encontrado site oficial do candidato, onde constem propostas. No site do TRE-RR, não há site cadastrado.

Anchieta (PSDB / PSD / SD / DC / MDB / DEM / PPS)
Vice: Abel Galinha (DEM)

Em ‘Propostas de Governo’, no site do TRE-RR, consta no item ‘Cultura’ a seguinte diretriz:
  • estimular as empresas estatais e privadas para a adoção de instituições culturais do estado  ‐  museus ou bibliotecas, assegurando a sua sustentabilidade.


Já no item ‘Educação’, consta a seguinte diretriz:
  • buscar recursos financeiros junto ao Governo Federal para a modernização dos equipamentos escolares, incluindo a instalação de bibliotecas e laboratórios, computadores e acesso à Internet, e adequação térmica dos ambientes, garantindo a todas as escolas estaduais condições adequadas de infraestrutura, incluindo conexão WIFI acessível a todo estudante.


No momento da consulta, o site do candidato estava fora do ar. No site do TRE-RR também constam as redes sociais do candidato.

Leia também

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Entrevista com o escritor Zeca Preto

A quarta entrevista da série com escritores de Roraima é com o filho de dona Neusa, Zeca Preto. 

Apresentação 
Sou um escritor meia boca. Com juízo suficiente pra não escrever um romance... Comecei a escrever um Maria Tiquiri. Tive de rasgar tudo. Totalmente perdido. Adoro escrever o cotidiano. Dar vida às palavras é bom demais. É como inventar palavras: Drácuxi, Paracuxinauara, Roraimeira, entre outras tantas. Na realidade, não sei quem sou como escritor. Apenas escrevo... 

Como se deu seu contato com a escrita? 
O meu contato com a escrita foi com 11 ou 12 anos: fui escolhido pra fazer uma mensagem de duas páginas para Papai Noel. Fiz a carta no Grupo Escolar Dr. Freitas, em Belém do Pará. O texto questionava porque uns tinham bicicletas, patins, carrinhos elétricos que piscavam os faróis e outros tinham um carrinho de lata feito pelos próprios pais. 

Essa questão social sempre foi um questionamento meu... e daí pra frente, escrevia mensagens de aniversário, até de missa de 7 dia de falecidos... 

Que livros você mais gostou de ler na vida? De que gêneros, escolas literárias e temas você mais gosta?
Li poucos livros e gostei imensamente de ‘Eu’, de Augusto dos Anjos. Quando jovem, era viciado em livro de bolso ‘Giselle, a espiã nua que abalou Paris’. Li quase todos. 

Quais são suas influências artísticas? Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção?
Acho que não tenho. Mas sou apaixonado por Manoel Bandeira e um pouquinho por Carlos Drummond de Andrade. 

Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima? 
Vejo com otimismo. Tem uma turma maravilhosa. E o que me deixa mais feliz é ver mulheres poetas. Fico Feliz! 

Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 
Eliakin Rufino, Zanny Adairalba, Ricardo Dantas, Edgar Borges. Os trabalhos desses escritores são bons e admiro... 

O que você diria para a nova geração de escritores? 
Claro, se preocupem com as pequenas concordâncias. E, por favor, deem vida e imagem às palavras... 

Quais são seus objetivos, como escritor?
É passar emoção, se possível, fazer chorar através da escrita. 

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira?
Como escritor, foi no lançamento do meu Songbook na sede da União Operária, onde pude ver e ouvir murmúrios de festas que ali aconteciam. Foi louco! Escrevi um poema... 

Como você caracteriza o texto que produz?
Verdadeiro, no maior sentido da mentira. 

Com é o seu processo de criação? 
Como escritor, chega uma vontade imensa de escrever. Como compositor, também faço por encomenda, sem inspiração... 

O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 
O amor no seu mais alto grau da existência... 

Fale sobre os livros que você publicou. 
Como escritor, escrevi os livros: 

Em 1987, ‘Beiral’. Foi lançado no próprio ambiente, no Bar do Batuta. Consegui levar ao Beiral secretários de Estados, deputados federais e outras autoridades. Foi uma festa maravilhosa com cachaça, cerveja, cigarros e poesia... 

Em 2008, escrevi o livro ‘Beiral II edição’ (obra revista e ampliada), com fotos do fotógrafo Jorge Macedo. 

Em 2013, escrevi o livro ‘Poemas Acorrentados’, com as belas ilustrações do artista plástico Augusto Cardoso. Para ler e baixar 'Poemas Acorrentados', clique aqui.
Em 2014, escrevi o livro ‘Traços e Amores’, com ilustrações de Amazoner Okaba. 

Em 2014, foi feito pela UFRR, através da Fundação Ajuri, o meu Songbook ‘Músicas Vivas de Zeca Preto’. 

A música me deixa mais eufórico por causa do som. Talvez, por isso, não seja tão atuante na literatura propriamente dita. 

Quais são seus projetos futuros? 
Lançar nas plataformas Web. 

Caso queira acrescentar algo a mais que não foi perguntado, fique à vontade. 
Agradecer e dizer que você é um grande escritor.

Site oficial

Redes sociais de Zeca Preto

Outras entrevistas da série com escritores de Roraima
E-book: a literatura de Roraima na era digital
Mesas redondas discutem literatura em Roraima

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Entrevista com o escritor João Euclides Junges

A terceira entrevista da série com escritores de Roraima é com João Euclides Junges, o Guri de Selbach.


Apresentação 

Nasci em Três Passos (RS), em 5 de fevereiro de 1955, filho de Emílio Alberto Junges e Ana Hilária Junges. Com três meses de vida, meus pais se mudaram, fixando residência na vila de Selbach. Foi como um vento, não deu tempo de pensar. O vento só tem tempo de seguir e de rezar a própria prece. Ingressei no mundo dos livros guiado pelas mãos divinas. O Deus de minha fé me salvou de fazer uma besteira, me inserindo no mundo fantástico dos livros. 


Como se deu seu contato com a leitura? 

Peguei gosto pela leitura nos meus tempos de piazote. Minha leitura preferida na época eram os livros de bolso de faroeste. 


Que livros você mais gostou de ler na vida? Que gêneros, escolas literárias e temas mais o agradam? 

Adoro livros de histórias baseadas em fatos reais. E o meu livro preferido, seguindo essa linha, é: Um Gato de rua chamado Bob. Autor: James Bowen. Outro: Papillon – O homem que fugiu do inferno. 


Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção? 

Sigo a mesma linha nos meus trabalhos literários, ou seja, histórias baseadas em fatos reais. 


Quais são suas influências artísticas? 

Minha influência artística veio através do nosso Pai Celestial. A noite em um sonho ELE me visitou e disse: “Escreve um livro guri” 


Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima? 

Caminhos difíceis para nós, escritores roraimenses. As livrarias estão fechando as portas e os políticos roraimenses não fazem nada pela cultura. 


Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 

Os trabalhos literários do Eroquês Velho e do Bruno Garmatz, dois gênios da literatura roraimenses. 


O que você diria sobre a nova geração de escritores de Roraima? 

Todos procurando o seu espaço. 


Quais são seus objetivos, como escritor? 

Meus livros estão entre os mais lidos em Roraima. Depois das eleições, vou trabalhar meus livros em Manaus. 


Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 

Quando uma criança de 13 anos, que estudava na Escola Penha Brasil, pegou o microfone, após o término de mais uma palestra, e, olhando bem dentro dos meus olhos, disse: “O senhor palestra com o coração. O senhor emociona a gente”. 


Como você caracteriza os textos que produz? 

Autobiográficos. 


Com é o seu processo de criação? 

Intuição e imaginação, aliado a muita pesquisa. 


O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 

A lua e o vento. Pertenço à classe dos andejos e quem sempre me leva embora é o “Wind”. 


Fale sobre os livros que você publicou. 

AVENTURAS DE UM DESCONHECIDO: São causos que levam o leitor a pensar nas inconsequentes travessuras de um menino de interior. O livro provoca a falsa impressão de que a pretensão do autor é mostrar o lado cômico de uma história e de uma época. Parece ser exatamente assim, mas não é. O que verdadeiramente está escrito não são as enormes gargalhadas que ecoaram nas lonjuras do passado. 

CAMINHANDO SOBRE OS SONHOS: É mais um sonho realizado de dois escritores gaúchos, que o destino reuniu em Roraima. Embora pareça ser a continuação do livro Aventuras de um desconhecido, diferencia-se apenas pela maneira diferente de contar velhas e verdadeiras histórias. As brincadeiras dos meninos interioranos amadureceram no contexto de cada história. Os escritores também amadureceram com a trajetória dos livros. 

GRITO DE ALERTA: Tratava-se de uma bela e desafiadora proposta literária. Porém, com uma temática definida, abrangente, de domínio público e trazendo dentro dela um forte apelo social. É diferente de contar histórias para as pessoas rirem e acharem engraçado, do que descrever as lágrimas e os sofrimentos dos que, em silêncio e solitários, choram. É diferente escrever sobre um tema amplamente debatido pela comunidade científica e por pessoas responsáveis sobre as ações sociais e humanitárias que são empreendidas constantemente. Todas as camadas sociais foram contempladas. Também nos prestigiaram pessoas de todas as idades e de todos os segmentos étnicos. Até porque a doença não discrimina as pessoas que se encontram em seu campo de atuação. As pessoas se permitiram, e nos permitiram, falar abertamente sobre as maneiras em que a depressão se manifestou nelas. 


Quais são seus projetos futuros? 

Já em desenvolvimento meu novo livro: A arte de vender livros e suas histórias. Lançamento previsto para o mês de novembro do corrente ano. 


Caso queira acrescentar algo a mais que não foi perguntado, fique à vontade. 

Os livros quase sempre materializam o abstrato e solitário sonho de um escritor. O escritor é um sonhador que sonha sozinho. Os mais renomados escritores, de qualquer época e de qualquer tema literário, um dia, também sonharam escrever o primeiro livro. Os livros encerram uma história de vivências que nos remete aos tempos de outra época e ao caminhar dela. 


Facebook


Conheça outros escritores entrevistados por esta série

Leia também

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Entrevista com o escritor George Farias

George Farias é o convidado da segunda entrevista da série com escritores de Roraima. Ele começou a produzir literatura por pensar que a poesia seria um veículo para se manifestar, se comunicar e mostrar suas angústias e anseios. Nasceu no Ceará em 1963 e vive em Roraima desde 1989, onde voltou a estudar e resolveu morar. 

Como se deu seu contato com a leitura? 
A literatura me envolveu desde muito cedo, pois eu admirava quem escrevia e como escrevia. 

Que livros você mais gostou de ler na vida? De que gêneros, escolas literárias e temas você mais gosta? 
O livro que mais me chamou a atenção foi ‘Eram os deuses astronautas’, [de Erich Von Daniken], depois busquei outros e outros e outros, sem me preocupar com o gênero. 

Quais são suas influências artísticas? 
Minha maior influência é meu irmão, [Cacá Farias], que me incentivou à leitura e por ser um grande compositor. 

Que características desse autor estão presentes na sua produção? 
O fato de ser poesia. 

Como você avalia o cenário atual da literatura em Roraima? 
Minha visão diz que a literatura em Roraima está mais ativa, porém segmentada, visto que alguns escritores se acham. 

Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 
Admiro alguns trabalhos, mas mais a poesia. 

O que você diria sobre a nova geração de escritores de Roraima? 
Vejo em crescimento. 

Quais são seus objetivos, como escritor? 
Que meu trabalho seja lido, principalmente nas escolas. 

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 
Mais marcante foi no dia em que vi meus livros sendo objetos de estudo de alunos do Mestrado da UERR. 

Como você caracteriza os textos que produz? 
Poema. 

Com é o seu processo de criação? 
Lendo e com muita calma, para que não seja qualquer nota. 

O que o inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 
O mar é meu principal tema, porém falo sobre muitos outros temas. 

O que você pode falar sobre os livros que você publicou? 
Publiquei dois livros e tenho um terceiro para publicar. Poemas que contam minha experiência em Roraima, porém sempre com um pé no mar. 

Quais são seus projetos futuros? 
Lançar meu terceiro livro e escrever mais. 

Blog 

Redes sociais de George Farias 

Leia também

E ainda
Mesas redondas discutem literatura em Roraima
Verbo porvir: a poesia em gestação em Roraima

A literatura de Roraima tá bem na fita!
Sessões coletivas de autógrafos de escritores roraimenses no II Sesc Literatura em Cena


terça-feira, 21 de agosto de 2018

Entrevista com a escritora Loretta Emiri

A partir de hoje, vamos fazer uma série de entrevistas com escritores e ilustradores de Roraima, o que inclui nascidos no Estado e aqueles que, em algum momento na vida, fizeram, das terras mais ao norte do Brasil, sua morada. 

Conheça Loretta Emiri, italiana de nascença, apelidada pelos yanomami de Horeto Mỳsi, que quer dizer algo como Andorinha Da-terra-de-cima. 


Apresentação 

Quando pequena, já dizia que queria me tornar escritora e que desejava trabalhar no chamado terceiro mundo. Ao alcançar a idade certa para fazer escolhas de vida, resolvi deixar a Itália e me mudar para a Amazônia brasileira, tendo certeza de que a convivência com os indígenas sugeriria assuntos importantes e originais que, num segundo momento, poderiam ser tratados pela escrita e transformados em literatura. Realizei meus sonhos infantis. Durante 18 anos, trabalhei com os índios brasileiros na defesa de seus direitos. Por mais de quatro anos morei no mato, vivendo entre os yanomami os anos mais felizes da minha vida. A reelaboração literária da privilegiada experiência feita me permite afirmar, hoje em dia, que estou dando continuidade à própria experiência. Minha escrita é a serviço da dignidade e dos direitos dos povos indígenas brasileiros, sem deixar de ser uma arte que melhora e enriquece minha própria vida. 


Como se deu seu contato com a leitura? Alguém a incentivou? 

Minha avó paterna, que era professora, e meu avô materno estavam sempre lendo alguma coisa. O primeiro livro de poemas que chegou às minhas mãos pertencia a esse meu tenro vovô. Desde menina, se alguém queria me fazer presentes, eu pedia que fossem livros. 


Quais são suas influências artísticas na escrita literária? Que características desses autores e obras estão presentes na sua produção? 

Autores come Grazia Deledda, Giovanni Verga, Luigi Pirandello, Cesare Pavese, Primo Levi, Beppe Fenoglio, Edgar Allan Poe, Hans Ruesch têm alimentado minha paixão pela leitura e pela escrita. Nos meus trabalhos, dou ênfase aos sentimentos, pensamentos, emoções dos personagens. Procuro ser muito sintética, direta. Utilizo até termos pouco usados, mas que remetem à minha experiência e bagagem cultural, pois é uma maneira de manter rica uma língua e manter vivos momentos específicos de histórias pessoais e da história em geral. 


Que trabalhos literários roraimenses você mais admira? 

Admiro muito o escritor Cristino Wapichana. Seus livros, suas performances, sua incansável atividade visam sensibilizar a opinião pública, especialmente as crianças, sobre valores e direitos dos povos indígenas. Ele já ganhou prêmios importantes, participou de feiras de livros no exterior, já se viu traduzido em outra língua

Uma obra que está fazendo a volta do mundo é aquela escrita pelo xamã yanomami Davi Kopenawa, coadjuvada pelo etnólogo Bruce Albert. Gravada em língua yanomami, impressa em francês, inglês, português e italiano, a obra, cujo título em português é ‘A queda do céu’, é uma verdadeira enciclopédia contendo informações sobre, vida, cultura, língua, mitologia, história, agressões, mortes e vitórias desse povo. 

Também admiro Zezé Maku (Miranda de Aquino) pela preocupação com a preservação da natureza; amos os poetas Eliakin Rufino e Beta Cruz (Roberta S. Cruz). 


Quais são seus objetivos, como escritora? 

Um amigo escreveu que os meus contos são de manutenção do espírito. Quando escrevo, é isso mesmo que acontece: faço higiene mental, reorganizo o caos interior, dou manutenção ao espírito. Naturalmente espero que essa atitude beneficie os leitores também. Além disso, com a escrita exprimo carinho e solidariedade para com os índios brasileiros, pois eles deram sentido à minha vida.  


Quais os momentos mais marcantes da sua carreira? 

Por ser mulher, sozinha, estrangeira trabalhando com os índios, fui marginalizada, discriminada, caluniada. Escrever poemas muito me ajudou a lidar com a solidão. Adolescente, tinha escrito poemas em italiano. Quando eles brotaram em português foi emocionante, gratificante, um momento muito marcante. A apresentação do meu livro ‘A passo di tartaruga – Storie di una latino-americana per scelta’, em 2017 entrou na programação oficial do Salão Internacional do Livro de Turim. Em janeiro de 2018, uma emissora nacional italiana pôs no ar uma entrevista em que fiz questão de contestar os estereótipos que circulam sobre os índios. Em maio de 2018, me foi conferido o Prêmio Especial à Carreira, durante a segunda edição do ‘Prêmio Nacional Novella Torregiani di Letteratura e Arti Figurative’, pela defesa dos direitos dos índios brasileiros. 


Como você caracteriza os textos que produz? 

Como já disse: meus escritos fornecem manutenção ao espírito, meu e dos leitores, espero. Dizer que são contos, e autobiográficos, nada acrescenta: o que eu considero estar escrevendo é simplesmente narrativa. 


Como é o seu processo de criação? 

Uma ideia, uma lembrança, um conceito, se instala na minha cabeça. Aí não tenho mais paz até elaborar o embrião pela escrita e transformá-lo em literatura. Antes de começar a escrever, o título já está prontinho, bem definido na minha cabeça. 


O que a inspira a escrever? Quais são seus temas mais recorrentes? 

A privilegiada experiência feita entre os índios brasileiros é à base da minha escrita. Idas e vindas entre passado e presente, entre Europa e América Latina, entre primeiro, terceiro e mundo dito primitivo, fazem com que atemporal seja o tempo nos meus textos. Gosto de mostrar como as mesmas situações são resolvidas pelos povos indígenas, considerados inferiores, ou pelos ocidentais que se consideram superiores, sem sê-los. Há apenas culturas, línguas e habitat diferentes; mais diversificados e preservados eles são, melhores condições de vida têm os homens. 


Que livros literários você já publicou? 

Poemas meus foram incluídos nas antologias ‘Poetas brasileiros de hoje – 1986’ (Shogun, 1986); ‘Antologia de poesias’ (Edicon, 1988); ‘Sociedade dos poetas vivos, v. 3’ (Blocos, 1993); ‘Expressões poéticas’ (SESC, 1993). Em 1992, pela Edicon de São Paulo publiquei o livro de poemas ‘Mulher entre três culturas – Ítalo-brasileira ‘educada’ pelos Yanomami’. 

Em italiano, escrevi os livros de contos ‘Amazzonia portatile’ (Manni Editore, 2003); ‘Quando le amazzoni diventano nonne’ (CPI/RR, 2011); ‘Amazzone in tempo reale’ (Andrea Livi Editore, 2013) (Prêmio Especial para Ensaios do “Premio Franz Kafka Italia – 2013”); ‘A passo di tartaruga – Storie di una latinoamericana per scelta’ (Collana Incroci, 2016). 


Quais são seus projetos futuros? 

Espero continuar escrevendo coisas que falem do valor da diversidade cultural, de diretos individuais e coletivos, dos povos indígenas brasileiros. Espero fazer isso até o último dia da minha vida. 


Onde suas produções podem ser encontradas? 

Textos meus aparecem em várias revistas, entra as quais: ‘I giorni e le notti’, ‘El ghibli’, ‘La macchina sognante’, ‘Fili d’aquilone’, ‘Sagarana’, ‘Euterpe’, ‘Pressenza’, ‘La bottega del Barbieri’. 







Leia também
Roraima na Flip 2018: fotografia, poesia e prosa
A diáspora da literatura de Roraima
Órfãos de Haximu e os órfãos de literatura sobre o povo Yanomami
Literatura indígena de Roraima
A literatura de Roraima além das fronteiras da língua
Literatura de Roraima é destaque em mapeamento da produção independente brasileira
Literatura para crianças em Roraima
Viagem ao Centro da Terra e a cosmologia indígena Macuxi

terça-feira, 31 de julho de 2018

Curiosidades sobre o conto ‘Teu Futuro te Condena’


Bem, eu já tinha falado um pouco sobre o processo de criação do conto ‘Teu Futuro Te Condena’ (para ler o post, clique aqui). Agora, resolvi publicar informações extras sobre a história. Se, além de matar a curiosidade de alguns, este despretensioso texto ajudar autores iniciantes a pensarem em como criar boas narrativas, seria uma ótima. 

O conto foi selecionado para publicação na Antologia Sombria, organizada pelo best-seller do terror brasileiro André Vianco e publicada pela Vivendo de Inventar, em parceria com a editora Empíreo. O livro reúne contos de temática sombria de vários autores brasileiros. 


A narrativa é feita em segunda pessoa do singular (tu) e no futuro do presente (serás). Talvez o único texto literário no mundo assim. Aliás, foi a partir dessas características que comecei a criar o conto. Falo mais sobre isso no post O nascimento de um conto ou como pari ‘Teu Futuro te Condena’, já citado acima. 

Ao contrário da maioria das narrativas policiais, neste conto, em vez de desvendar quem é o assassino, um dos grandes mistérios da história é a identidade do morto. E o final é surpreendente! Você acredita que só muito tempo depois me dei conta disso?! E olha que eu já tinha pensado em escrever uma história de suspense em que só se descobriria quem é o morto no desfecho. Quem diria? Fiz isso sem querer!

O conto é uma profecia dentro de outra profecia. Difícil entender, né? Talvez um exemplo ajude. Assim começa a história: “— Serás um assassino — dir-te-ei, recém-nascido, quando teus pais te trouxerem até mim.” Ou seja, a narradora começa o texto anunciando que fará uma profecia. No momento em que ela narra, a profecia ainda não foi feita. Que doido, hein?

Como consequência da curiosidade anterior, nada na história aconteceu ainda. Tudo é futuro, inclusive a profecia que a mulher anuncia que fará e que desencadeia toda a história. Ficção é uma coisa fascinante, não? 


Bem, diga nos comentários o que achou deste texto e do conto. 

Até!


Para ler o conto 'Teu futuro te condena', clique aqui.

Para ler sobre o processo de criação da história, clique aqui.

Leia também outros conto do mesmo autor

domingo, 29 de julho de 2018

Roraima na Flip 2018: fotografia, poesia e prosa

Roraima marcou presença na 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho deste ano. Veja um pouco de como foi a nossa participação no principal evento internacional dedicado à literatura no Brasil.

Yano-a  

Yanomami. 2018. Foto: Claudia Andujar.
Fonte: Itaú Cultural
A exposição Yano-a reuniu fotografias de Claudia Andujar, fotógrafa e ativista suíça, naturalizada brasileira, com longo envolvimento com a Amazônia brasileira e o povo indígena Yanomami. 

No mundo Yanomami, Yano-a é o lar de grandes famílias. É também o local das festividades, da cura xamânica, da confraternização entre as comunidades e onde as famílias vivem e criam crianças que crescem e aprendem a viver. 

Claudia Andujar é uma das fundadoras da Comissão pela Criação do Parque Yanomami. Foi fotojornalista da revista Realidade e realizou importantes ensaios fotográficos na companhia dessas populações. Trabalhos seus integram acervos de importantes museus, como o MoMA, em Nova York.

Yanomami para sempre!
A mesa 'Yanomami para sempre!' teve a participação da fotógrafa Claudia Andujar, do líder Davi Kopenawa Yanomami e do missionário Carlo Zacquini. Davi Kopenawa é um dos autores do livro A queda do céu.

Literatura em Roraima 
Autor de ‘Urihi: nossa terra, nossa floresta’, o poeta Devair Fiorotti participou da atividade ‘Conversa sobre a Literatura produzida em Roraima’. 

O livro Urihi reúne poemas que retratam a história real de um yanomami voltando para sua casa, "que já não existe", após ser abandonado por um garimpeiro para quem teria trabalhado como escravo no garimpo.




Teatro do Oprimido 
Bárbara Santos e Francisco Alves Gomes. Foto: Kazuá.
Autor do livro de contos ‘Fotografias desmemoriadas de mim, de ti, de outrem’ e de três livros de poemas, Francisco Alves Gomes mediou uma mesa sobre a estética do Teatro do Oprimido.

O debate contou ainda com a presença da atriz, socióloga e curinga do Teatro do Oprimido Bárbara Santos. Criado por Augusto Boal, o termo Curinga define a função de facilitador e especialista em Teatro do Oprimido.

Além de escritor, Francisco Alves Gomes é mestre e doutorando em Literatura, pela UNB. Seu objeto de pesquisa no mestrado e no doutorado é a produção de Hilda Hilst para o teatro, homenageada da Flip deste ano.

Vídeo de Francisco Alves Gomes sobre a Flip 2018

Poema de Hilda Hilst, interpretado por Francisco Alves Gomes

Leia também
A literatura de Roraima tá bem na fita!
Literatura de Roraima é destaque em mapeamento da produção independente brasileira
A diáspora da literatura de Roraima
Órfãos de Haximu e os órfãos de literatura sobre o povo Yanomami